Abraão não sabia de antemão *como* Deus resolveria aquela situação. Quando Isaque perguntou onde estava o animal para o sacrifício, Abraão respondeu que Deus o providenciaria (Gênesis 22:7-8). Era uma resposta de confiança, não uma descrição de algo que Deus já tivesse revelado a ele.
A dificuldade era enorme. Deus havia prometido que seus planos para a família de Abraão se cumpririam por meio de Isaque (Gênesis 17:19-21). Depois, mandou Abraão oferecer justamente Isaque em sacrifício (Gênesis 22:2). Abraão não entendia como as duas coisas poderiam acontecer, mas confiava que Deus não deixaria de cumprir sua promessa. Ele já tinha visto Isaque nascer quando ele e Sara eram idosos e pareciam não ter mais condições de ter um filho (Gênesis 21:1-2).
O livro de Hebreus nos ajuda a entender até onde ia essa confiança: Abraão considerou que Deus seria capaz até de ressuscitar Isaque, se isso fosse necessário (Hebreus 11:17-19). Isso não quer dizer que ele soubesse que haveria uma ressurreição, nem que tivesse certeza de que encontraria um cordeiro. Quer dizer que ele cria que Deus cumpriria o que havia prometido, mesmo sem saber de que maneira.
No fim, Deus impediu Abraão de matar Isaque. Abraão então viu um carneiro, preso pelos chifres, e o ofereceu no lugar do filho (Gênesis 22:11-13). O texto faz essa distinção: Abraão falou em um cordeiro, mas o animal que apareceu foi um carneiro. O ponto da resposta dele não era prever exatamente qual animal surgiria. Era confiar que Deus daria uma saída — e foi o que aconteceu.