A Bíblia não explica por que *esta* pessoa nasceu com uma deficiência ou por que *aquela* passou a ter uma depois de uma doença ou de um acidente. Por isso, não seria honesto dizer que sabemos o motivo de cada caso. Mas ela nos ajuda a entender duas coisas importantes: uma deficiência não diminui o valor de ninguém diante de Deus, e não devemos tratá-la como castigo por um pecado pessoal.
Jesus deixou isso claro ao encontrar um homem que era cego desde o nascimento. Os discípulos perguntaram se a cegueira tinha sido causada pelo pecado do próprio homem ou dos pais dele. Jesus rejeitou as duas explicações. Em vez de procurar um culpado, ele cuidou daquele homem e mostrou nele o poder de Deus (João 9:1–7). Isso também nos ensina a ter cuidado com frases como “Deus fez isso com você pra lhe ensinar alguma coisa”. Não sabemos se esse é o motivo do sofrimento de alguém.
Então por que existem deficiências, doenças e acidentes? A Bíblia ensina que o mundo em que vivemos não está como Deus deseja que ele permaneça. O pecado trouxe morte e sofrimento à experiência humana (Romanos 5:12; 8:20–23). Essa é uma explicação geral pra existência da dor, não uma acusação contra quem tem uma deficiência. A pessoa não é menos amada por Deus, nem podemos concluir que tenha pecado mais do que as outras.
A Bíblia também mostra que Deus pode agir na vida de alguém sem primeiro tirar sua limitação. Moisés tinha dificuldade pra falar e achou que não conseguiria cumprir a tarefa que Deus lhe deu. Deus prometeu ajudá-lo e providenciou a ajuda de Arão (Êxodo 4:10–16). O texto não permite dizer qual era a condição de Moisés, mas mostra algo valioso: uma dificuldade real não faz Deus deixar uma pessoa de lado. Paulo, por sua vez, pediu que Deus tirasse dele um sofrimento que chamou de “espinho na carne”. Não sabemos exatamente o que era. Deus não o retirou, mas deu a Paulo força pra continuar (2 Coríntios 12:7–10).
Isso não significa que precisamos chamar a deficiência de algo bom ou fingir que suas dificuldades não existem. Quem vive com uma deficiência pode enfrentar dor, obstáculos e atitudes injustas de outras pessoas. Precisa ser ouvido e respeitado, não transformado em exemplo de coragem sem ter pedido por isso. Jesus tratava as pessoas com atenção e dignidade; esse também deve ser o nosso modo de agir.
A esperança cristã é que o sofrimento não terá a última palavra. Jesus curou pessoas durante sua vida na terra, mostrando seu cuidado por elas e dando um sinal do que Deus fará quando renovar todas as coisas (Mateus 11:4–5; Apocalipse 21:3–4). Essa promessa não é uma cobrança pra que alguém seja curado agora. É a certeza de que Deus não abandonará aqueles que confiam em Cristo.
Portanto, não temos uma resposta específica pra cada deficiência. Temos, porém, motivos pra rejeitar a culpa, cuidar uns dos outros e confiar em um Deus que conhece cada pessoa, inclusive quando a vida traz perguntas difíceis.