A Bíblia não conta que Satanás tenha pedido perdão e Deus tenha recusado. O que ela mostra é o contrário: Satanás continua se opondo a Deus. E, quando fala do fim dele, não fala de arrependimento, mas de julgamento.
Perdoar não é simplesmente deixar de punir alguém, mesmo que essa pessoa queira continuar fazendo o mal. Na Bíblia, o perdão está ligado ao arrependimento: reconhecer o pecado e voltar-se pra Deus. Satanás, porém, é apresentado como alguém que engana e acusa. Jesus o chama de mentiroso e assassino (João 8:44). Essas passagens não descrevem alguém buscando reconciliação com Deus.
O relato mais claro sobre o futuro dele está em Apocalipse 20. Satanás fica preso por mil anos e, quando é solto, volta a enganar as nações e a reuni-las contra o povo de Deus. Depois disso, recebe seu julgamento definitivo (Apocalipse 20:7-10). O ponto é forte: mesmo após esse longo período, o texto não mostra nenhuma mudança de atitude.
Há também uma distinção importante. A Bíblia anuncia a salvação de seres humanos por meio de Jesus Cristo, mas não anuncia um caminho de salvação para os anjos que pecaram. Hebreus 2:16 fala da ajuda de Cristo aos descendentes de Abraão, não aos anjos; e Mateus 25:41 e 2 Pedro 2:4 falam de julgamento para o diabo e os anjos que se rebelaram. Isso não nos dá licença pra inventar tudo o que Deus poderia ou não poderia fazer. Dá, sim, uma base pra afirmar o que as Escrituras revelam: elas não prometem perdão a Satanás.
Então, a resposta mais cuidadosa é esta: Deus não é apresentado como alguém que negou perdão a um Satanás arrependido. Satanás é apresentado como alguém que persiste na rebelião, e a Bíblia anuncia seu julgamento final. A mesma Bíblia que leva esse mal a sério também apresenta uma boa notícia pra nós: quem se volta pra Cristo encontra nele perdão (1 João 1:9).