Deus é amor, mas isso não significa que ele aprove tudo o que as pessoas fazem. A Bíblia diz que Deus ama o mundo e enviou seu Filho pra salvar pecadores (João 3:16). Também diz que ele odeia a mentira, a violência, a injustiça e outras formas de maldade (Provérbios 6:16-19). Não há contradição nisso: o amor de Deus não o torna indiferente ao mal, especialmente ao mal que destrói pessoas que ele ama.
Há, porém, uma parte mais difícil nessa pergunta. A Bíblia não diz apenas que Deus odeia *pecados*. Alguns textos dizem que ele odeia pessoas que praticam o mal, como no Salmo 5:5 e no Salmo 11:5. Não seria honesto trocar o que esses textos dizem pela frase “Deus ama o pecador e odeia o pecado”, como se ela explicasse tudo. O pecado não acontece sozinho; são pessoas que escolhem agir com violência, mentir ou oprimir outras. Por isso, quando Deus julga o mal, ele também responsabiliza quem o pratica.
Isso não quer dizer que Deus sinta um ódio descontrolado, como muitas vezes acontece conosco, nem que deixe de oferecer misericórdia a quem pecou. Ele chama as pessoas ao arrependimento. No livro de Jonas, por exemplo, Deus anunciou o julgamento de Nínive por causa de sua maldade, mas poupou a cidade quando seus habitantes abandonaram aquele caminho (Jonas 3). E, em Ezequiel 18:32, Deus mostra que não tem prazer na morte de quem peca; seu chamado é pra que a pessoa se arrependa e viva.
É em Jesus que vemos com mais clareza como o amor e a justiça de Deus se encontram. Segundo Romanos 5:8, Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores. Deus não esperou que as pessoas se tornassem boas pra amá-las. Ao mesmo tempo, esse amor não significa que o pecado não tenha importância ou que Deus nunca vá julgá-lo.
Então, sim, a Bíblia diz que Deus odeia. Ele odeia o mal e se opõe a quem o pratica. Mas também ama pecadores e lhes oferece perdão em Cristo. A resposta de Deus ao pecado não é fingir que ele não existe: é chamar quem pecou ao arrependimento e abrir um caminho pra sua reconciliação com ele.