Significa que Deus nunca age contra quem ele é. Ele não mente, não abandona suas promessas e não deixa de ser justo. É isso que Paulo quer dizer em 2 Timóteo 2:13, quando afirma que, mesmo se formos infiéis, Cristo permanece fiel, porque não pode negar a si mesmo.
O contexto ajuda a entender por que Paulo diz isso. Pouco antes, ele anima os cristãos a permanecer firmes nas dificuldades e diz que, se perseverarem, reinarão com Cristo. Mas também faz uma advertência séria: se o negarem, ele os negará (2 Timóteo 2:11-12). Logo depois vem a afirmação de que Cristo permanece fiel. Portanto, a fidelidade de Cristo não torna a advertência sem importância. Ele é fiel tanto ao que promete quanto ao que adverte.
É aqui que surge uma dúvida compreensível: se alguém falha, Cristo ainda o recebe? Precisamos distinguir uma queda de uma decisão persistente de rejeitá-lo. Pedro, por exemplo, negou Jesus e depois foi restaurado (Lucas 22:54-62; João 21:15-19). Sua história mostra que negar Jesus num momento de medo é grave, mas não significa que o perdão se tornou impossível. Ao mesmo tempo, não seria correto usar 2 Timóteo 2:13 para dizer a alguém que rejeita Cristo deliberadamente que sua escolha não terá consequências.
Cristãos que reconhecem a autoridade da Bíblia entendem de formas diferentes como essa advertência se relaciona com a salvação. Alguns entendem que Paulo está falando principalmente de consequências para o cristão infiel, sem afirmar que ele perderá a salvação. Outros entendem que a advertência também fala do destino de quem abandona Cristo de maneira definitiva. O texto, por si só, não resolve toda essa discussão. Mas seu ponto principal é claro: não podemos escolher apenas as promessas de Cristo e ignorar suas advertências.
Então, Deus não poder negar a si mesmo não é uma limitação, como se lhe faltasse poder. É a certeza de que ele jamais deixará de ser verdadeiro. Quem se volta a Cristo pode confiar na fidelidade dele; e quem pensa em abandoná-lo deve levar a sério o que ele disse.