A pergunta faz sentido. Quando uma pessoa exige admiração e quer que tudo gire em torno dela, isso costuma ser sinal de orgulho. Então por que Deus pede que as pessoas o adorem e lhe deem glória?
A diferença começa aqui: uma pessoa orgulhosa se coloca acima dos outros sem ter razão pra isso. Deus, segundo a Bíblia, não está exagerando sua importância. Ele é o Criador, e não existe outro Deus como ele (Isaías 45:5). Por isso, reconhecer sua grandeza não é alimentar uma ilusão; é reconhecer quem ele é.
Mas ainda fica uma dúvida importante: se Deus já é tão grande, por que quer nossa adoração? Não é porque precise dos nossos elogios. Paulo diz que Deus não depende das pessoas pra receber alguma coisa, pois é ele quem nos dá a vida e tudo o que temos (Atos 17:24-25). Adorar a Deus é responder a quem ele é com confiança, gratidão e obediência. Pra nós, isso significa deixar de tratar como deus algo que não pode nos dar vida nem nos ensinar a viver.
Também importa olhar pra maneira como Deus age. A Bíblia não apresenta um Deus que busca glória enquanto despreza as pessoas. Ela diz que ele demonstrou seu amor por nós quando Cristo morreu por nós, mesmo sendo nós pecadores (Romanos 5:8). E descreve Jesus, embora tivesse a condição divina, aceitando a condição de servo e a morte na cruz (Filipenses 2:6-8). Isso não combina com a ideia de alguém obcecado em proteger a própria imagem a qualquer custo.
Isso não quer dizer que toda pergunta difícil sobre as ações de Deus esteja resolvida. A Bíblia também fala do seu juízo, e é compreensível que alguém queira saber como esse juízo se relaciona com seu amor. Mas o fato de Deus pedir adoração, por si só, não faz dele um megalomaníaco. Ele não pede que acreditemos numa grandeza que não possui, nem precisa da nossa admiração pra ser quem é. Segundo a Bíblia, ele nos chama a reconhecer a verdade sobre ele e a receber o amor que demonstrou em Cristo.