Porque Nínive tinha se tornado o centro de um império que conquistava outros povos com violência e mantinha seu poder por meio de crueldade, mentiras e saques. No livro de Naum, Deus anuncia que não deixaria esses crimes sem resposta. A cidade que parecia invencível teria de responder pelo sofrimento que causou (Naum 3:1, 19).
Nínive era a capital da Assíria. Seu exército havia destruído o reino de Israel, ao norte, e tomado sua capital, Samaria. Anos depois, a Assíria atacou Judá e ameaçou Jerusalém (2 Reis 17:5-6; 18:13-17). Mas o julgamento anunciado por Naum não se explica só porque os assírios eram inimigos do povo de Deus. O profeta fala de uma cidade que derramava sangue, enganava e roubava, e cuja violência atingia muitos povos. Naum termina perguntando, em outras palavras, quem não tinha sofrido com a crueldade da Assíria (Naum 3:19).
Pode surgir então uma dúvida: Deus não havia poupado Nínive no tempo de Jonas? Sim. Naquela ocasião, os ninivitas ouviram o aviso de Deus, se arrependeram, e Deus não trouxe a destruição anunciada (Jonas 3:5-10). Isso mostra que ele não desejava destruí-los sem lhes dar oportunidade de mudar. Mas a mensagem de Naum veio depois. O arrependimento de uma geração não significava que as gerações seguintes poderiam voltar à violência sem jamais prestar contas.
Naum apresenta essas duas coisas juntas: Deus é paciente, mas não considera o culpado inocente (Naum 1:2-3). Sua paciência não era aprovação daquilo que Nínive fazia. Ao anunciar o fim da cidade, Deus mostrava que o poder da Assíria não a colocava acima da justiça.
Por isso, a queda de Nínive seria um alívio pra quem vivia sob sua ameaça, especialmente Judá (Naum 1:15). A severidade do julgamento corresponde à gravidade e à persistência da crueldade assíria. O livro de Naum ensina que Deus vê o sofrimento causado pelos poderosos e que, mesmo quando parece demorar, ele não ignora a injustiça.