Deus não julgou Edom simplesmente porque esse povo não ajudou Israel. Segundo Obadias, os edomitas viram Judá sofrer uma grande calamidade e, em vez de mostrar compaixão, se alegraram, aproveitaram a situação pra tomar seus bens e atacaram pessoas que tentavam escapar. A gravidade disso aumenta porque os dois povos eram parentes.
Edom descendia de Esaú, irmão de Jacó, de quem descendiam os israelitas (Gênesis 25:24-26, 30; 36:1). Por isso, Obadias chama Israel de “irmão” de Edom. A relação entre os povos já tinha sido difícil antes: durante a viagem pelo deserto, Edom recusou passagem aos israelitas (Números 20:14-21). Mas a razão principal do julgamento anunciado por Obadias está no que Edom fez quando Judá estava indefeso.
O profeta descreve uma sequência de atitudes. Os edomitas ficaram satisfeitos com a desgraça de Judá, entraram pra pegar seus bens e se colocaram no caminho dos fugitivos: alguns foram mortos, e outros, entregues ao inimigo (Obadias 1:10-14). Não era apenas uma rivalidade antiga. Era violência praticada contra pessoas que já estavam sofrendo.
Obadias também aponta o orgulho de Edom. Os edomitas se sentiam seguros em sua região montanhosa e acreditavam que ninguém conseguiria derrubá-los. Deus, porém, diz que essa confiança os enganava (Obadias 1:3-4). Eles agiram como se sua posição os deixasse livres pra fazer o mal sem sofrer consequências.
Por isso o julgamento é apresentado de forma tão severa: Edom se aproveitou da calamidade de um povo irmão, tratou sobreviventes com crueldade e confiou que permaneceria intocável. Obadias anuncia que Edom receberia de volta as consequências do que tinha feito (Obadias 1:15). A mensagem vai além de Edom: Deus vê como tratamos as pessoas, especialmente quando elas estão vulneráveis, e não considera pequena a crueldade de quem se aproveita do sofrimento alheio.