Não. A ideia do chamado “gene de Deus” não prova que Deus não existe. Ela também não prova que Deus existe. A pergunta que uma pesquisa genética pode investigar é outra: nossos genes influenciam a maneira como vivemos experiências religiosas ou espirituais? Mesmo que influenciem, isso não decide se aquilo em que uma pessoa crê é verdadeiro.
A expressão ficou conhecida por causa de um livro publicado em 2004 pelo geneticista Dean Hamer. Ele sugeriu uma relação entre variações de um gene chamado *VMAT2* e uma característica que sua pesquisa chamava de “autotranscendência” — uma tendência a sentir que a vida tem uma dimensão maior do que a experiência individual. Isso é bem diferente de descobrir um gene que faz alguém crer em Deus. A crença religiosa envolve muitas coisas, como experiências pessoais, família, cultura, reflexão e escolhas. Não há base pra dizer que um único gene a determina.
Mas vamos supor, por um momento, que fosse demonstrada uma influência genética forte sobre a fé. Por que isso não refutaria Deus? Porque explicar como uma crença se forma não é o mesmo que demonstrar que ela é falsa. Nossa capacidade de pensar também depende do funcionamento do cérebro; nem por isso concluímos que todos os nossos pensamentos estão errados. Pra avaliar uma crença, precisamos examinar suas razões, e não apenas os processos do corpo que participam dela.
A Bíblia não ensina que o corpo não tem importância. Ela apresenta o ser humano como alguém criado por Deus e vivendo num corpo (Gênesis 1:26-27; 2:7). Por isso, descobrir que características biológicas influenciam nossos sentimentos e pensamentos não precisa surpreender um cristão. A questão é se esses processos explicam *tudo* o que somos e se eliminam Deus. Uma pesquisa sobre genes não tem como chegar sozinha a essa conclusão.
Romanos 1:19-21 ensina que as pessoas podem perceber algo sobre Deus por meio do que ele criou, embora nem sempre respondam a esse conhecimento reconhecendo-o como Deus. Esse é um ensinamento bíblico sobre a relação da humanidade com o Criador, não uma descrição de um gene. Da mesma forma, quando Paulo falou em Atenas, ele apresentou Deus como o criador e sustentador da vida (Atos 17:24-28). Ele não tratou a capacidade humana de buscar a Deus como prova de que Deus não existe.
Portanto, a resposta é simples: o “gene de Deus” não refuta a existência de Deus. O nome sugere uma descoberta muito maior do que a pesquisa permite afirmar. A genética pode ajudar a entender influências sobre a experiência religiosa; ela não resolve, por si só, se Deus existe ou se a mensagem cristã é verdadeira.