Significa que podemos contar com Deus como alguém conta com um lugar seguro pra morar. Moisés diz, em Salmo 90:1, que o Senhor tem sido a morada do seu povo ao longo das gerações. Ele não está falando de uma casa ou de um lugar onde nada de ruim acontece. Está dizendo que, mesmo quando tudo muda, Deus continua presente e é digno de confiança.
Essa imagem ganha força quando pensamos na história de Israel. O povo passou muitos anos no deserto, sem uma moradia permanente. Ainda assim, não estava sem amparo: Deus o acompanhava e cuidava dele. Por isso, a segurança de Israel não dependia apenas de chegar a um lugar fixo. Dependia, acima de tudo, do Senhor.
O versículo seguinte explica por que Moisés podia falar assim. Em Salmo 90:2, ele lembra que Deus já existia antes da criação do mundo. Pessoas passam, gerações mudam, mas Deus permanece. É esse contraste que dá sentido à oração: nossa vida é frágil, mas aquele em quem confiamos não deixa de ser Deus.
Isso não quer dizer que quem confia nele nunca vai sofrer. O próprio Salmo 90 fala da brevidade da vida e pede a misericórdia de Deus em meio às dificuldades. Chamar Deus de refúgio não é negar essas dificuldades; é saber a quem recorrer nelas. Podemos orar, depender do seu cuidado e confiar que ele não abandona o seu povo.
Pra quem crê em Jesus, essa confiança também inclui o que ele fez por nós. Por meio da morte de Cristo, fomos aproximados de Deus e recebemos acesso ao Pai (Efésios 2:13, 18). Assim, dizer “Deus é o nosso refúgio” não é apenas buscar ajuda numa hora de perigo. É saber que podemos viver perto dele agora e esperar o dia em que estaremos com ele plenamente (Apocalipse 21:3).