À primeira vista, a pergunta faz sentido. Se uma pessoa exigisse que todos a elogiassem e obedecessem, nós a chamaríamos de egoísta. Então por que seria diferente com Deus?
A diferença está em quem Deus é e no que ele faz. Uma pessoa egoísta se coloca acima dos outros para conseguir algo que deseja. Deus não precisa da nossa adoração para completar o que falta nele. Em Atos 17:24-25, Paulo diz que Deus não depende de mãos humanas nem precisa que alguém lhe dê alguma coisa. Ele é quem dá vida a todos.
Quando a Bíblia nos chama a adorar a Deus, ela não está dizendo que ele precisa de elogios. Está nos chamando a reconhecer a verdade: ele é o Criador, e nós recebemos dele a vida e tudo o que temos. Dar esse lugar a Deus não diminui o ser humano. Pelo contrário, nos ajuda a viver sem a pretensão de que podemos ocupar o lugar dele.
Mas existe uma parte difícil da pergunta: e se alguém não quiser adorá-lo? A Bíblia não apresenta a condenação como a reação de um Deus vaidoso que se ofendeu por não receber elogios. Ela diz que todos nós pecamos e precisamos da sua graça (Romanos 3:23). Rejeitar Deus não é apenas deixar de prestar uma homenagem; é recusar aquele que nos criou, nos dá a vida e nos chama a deixar o pecado. Jesus falou seriamente sobre o julgamento, mas também disse que Deus enviou seu Filho ao mundo para salvá-lo, não para condená-lo (João 3:16-17). Isso não torna o julgamento um assunto leve. Mostra, porém, que Deus não tem prazer em negar salvação a quem precisa dela.
A demonstração mais clara do caráter de Deus está em Jesus. Segundo Romanos 5:8, Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores — antes que pudéssemos oferecer a Deus qualquer obediência que merecesse esse amor. E Jesus ensinou seus seguidores a servir, apontando pra própria vida como exemplo (Marcos 10:45). Deus não pede adoração enquanto se mantém distante do nosso sofrimento: em Cristo, ele veio ao nosso encontro para nos salvar.
Por isso, a resposta bíblica é não, Deus não é egoísta. Ele merece adoração por ser quem é, mas não depende dela para satisfazer uma necessidade. E, em vez de apenas exigir algo de nós, tomou a iniciativa de nos amar e oferecer reconciliação quando estávamos afastados dele.