Quando um terremoto destrói uma cidade ou um ciclone tira a vida de tantas pessoas, não basta explicar como o desastre aconteceu. A pergunta mais difícil é: se Deus é bom e tem poder pra impedir isso, por que ele não impede?
A Bíblia não revela o motivo de Deus permitir cada tragédia. Por isso, não seria honesto dizer que sabemos por que determinada família morreu e outra sobreviveu. Mas ela nos ajuda a entender o mundo em que vivemos e, principalmente, como devemos olhar pras pessoas que sofrem.
Terremotos, ciclones e tsunamis têm causas naturais. Terremotos acontecem por movimentos na crosta terrestre; um terremoto no fundo do mar pode provocar um tsunami. Explicar essas causas não significa dizer que Deus não tem poder sobre a natureza. Significa apenas que não precisamos chamar cada desastre de uma punição enviada por ele.
A Bíblia ensina que Deus criou o mundo, mas também diz que a criação, hoje, está sujeita à corrupção e aguarda o dia em que será libertada dessa condição (Gênesis 1:1; Romanos 8:20-22). O mundo em que vivemos não está livre do sofrimento. Isso faz parte da condição da criação afetada pelo pecado humano. Mas a Bíblia não diz que as vítimas de um desastre sofreram por pecados específicos que cometeram.
Jesus tratou diretamente de uma tragédia desse tipo. Quando uma torre caiu e matou dezoito pessoas, ele rejeitou a ideia de que elas fossem mais culpadas do que os outros moradores de Jerusalém (Lucas 13:4-5). A resposta dele nos impede de olhar pra quem morreu e concluir: “Deus estava castigando essas pessoas.” A Bíblia relata ocasiões em que Deus anunciou um julgamento por meio de um acontecimento terrível, como em Números 16:30-34. Sem uma revelação assim, porém, não temos autoridade pra afirmar que um desastre atual é um castigo divino.
Isso ainda deixa a pergunta mais dolorosa: por que Deus não impediu? Não sabemos a resposta pra cada caso. Também não precisamos dizer a quem perdeu alguém que a tragédia aconteceu pra ensinar uma lição. A Bíblia nos permite reconhecer o sofrimento como sofrimento. Quando seu amigo Lázaro morreu, Jesus chorou, mesmo sabendo que iria ressuscitá-lo (João 11:33-35).
Nossa esperança cristã não é que toda catástrofe terá uma explicação nesta vida. É que Deus não abandonou a criação ao sofrimento: por meio de Cristo, ele promete vencer a morte e fazer novas todas as coisas (1 Coríntios 15:20-26; Apocalipse 21:4-5). Enquanto esperamos por isso, a resposta mais fiel diante de um desastre é cuidar de quem sofre — com ajuda concreta, presença e oração —, sem fingir que sabemos o que Deus não nos contou.