É uma maneira de tentar explicar algo que ainda não entendemos dizendo: “A ciência não sabe como isso aconteceu; então foi Deus quem fez.” A “lacuna” é justamente aquilo que ainda falta no nosso conhecimento.
O problema está no “então”. Não saber explicar um fenômeno não prova que Deus agiu de um modo especial naquele caso. Talvez exista uma explicação natural que ainda não foi descoberta. Se a fé em Deus depender dessas perguntas sem resposta, cada nova descoberta científica pode parecer uma ameaça a ela.
Mas isso não significa que Deus fique de fora quando entendemos como alguma coisa funciona. Pense na chuva. Podemos explicar como a água evapora, forma nuvens e volta a cair. Para o cristão, conhecer esse processo não significa que Deus deixou de sustentar o mundo. A Bíblia apresenta Deus como o criador de todas as coisas e aquele de quem a criação continua dependendo (Gênesis 1:1; Colossenses 1:16-17).
A diferença é esta: “Ainda não sei como aconteceu; logo, foi Deus” é um argumento fraco. “Creio que o mundo existe e depende de Deus, mesmo quando consigo entender seus processos” é uma afirmação de outro tipo. Ela não usa Deus apenas pra preencher o que falta nas explicações científicas.
Romanos 1:19-20 ensina que a criação dá testemunho do poder e da divindade de Deus. A passagem, porém, não diz que só percebemos Deus nas coisas que a ciência não consegue explicar. E também não autoriza a tratar toda pessoa que discorda de um argumento sobre a natureza como alguém que esteja, por isso, rejeitando deliberadamente a verdade.
Assim, um cristão pode investigar com interesse as questões ainda abertas sobre o universo e a vida. Só precisa ser honesto sobre o que se sabe e o que não se sabe. A existência de uma pergunta difícil, por si só, não prova uma resposta específica — e descobrir uma explicação natural não elimina Deus da criação.