Paulo está falando do poder de Deus para fazer o que, aos olhos humanos, parece impossível. No contexto, ele pensa primeiro na promessa feita a Abraão: ele e Sara teriam um filho, embora já fossem idosos e Sara não pudesse ter filhos. Abraão confiou que Deus cumpriria essa promessa, mesmo sem enxergar como isso aconteceria.
Essa é a ideia por trás da expressão “dá vida aos mortos”. Paulo não está dizendo que Abraão ou Sara tinham morrido e voltaram à vida. Em Romanos 4:19, ele fala do corpo de Abraão, já muito envelhecido, e da incapacidade de Sara de gerar um filho. A situação parecia sem saída, mas Deus lhes deu Isaque, como havia prometido. Abraão tinha cem anos quando o menino nasceu (Gênesis 21:5).
Paulo conta essa história para explicar a fé de Abraão. Abraão não conquistou a aceitação de Deus por suas obras; ele creu na promessa de Deus (Romanos 4:3). Sua fé não consistia em fingir que a idade dele e a condição de Sara não eram problemas. Consistia em confiar que Deus podia cumprir o que havia dito apesar desses problemas (Romanos 4:19-21).
Mas Paulo não para no nascimento de Isaque. No fim do capítulo, ele diz que essa história também foi escrita para nós, que cremos no Deus que ressuscitou Jesus dentre os mortos (Romanos 4:23-24). Aqui, Deus deu vida a alguém que realmente havia morrido. A ressurreição de Jesus mostra que a confiança de Abraão estava no Deus certo: aquele que tem poder até sobre a morte.
Isso também ajuda a entender a esperança cristã. A Bíblia diz que Deus dá vida espiritual a pessoas que estavam mortas por causa dos seus pecados (Efésios 2:1-5). E promete que aqueles que pertencem a Cristo também serão ressuscitados (Romanos 8:11). Essas são aplicações ligadas ao mesmo poder de Deus, embora, em Romanos 4:17, Paulo esteja falando diretamente da confiança de Abraão na promessa de ter um filho.
Em resumo, Abraão creu que Deus podia dar vida onde ele e Sara já não tinham condições de gerá-la. Nós somos chamados a crer no Deus que ressuscitou Jesus. Nos dois casos, a fé não se apoia na capacidade humana, mas no poder de Deus para cumprir o que prometeu.