Nesse versículo, “recompensa” não quer dizer apenas um prêmio por algo bom. A palavra também pode se referir à retribuição pelo mal praticado. Jeremias está dizendo que Deus não deixaria a Babilônia sem resposta pelo que ela havia feito.
Na época, muitos israelitas estavam exilados na Babilônia. Deus havia permitido que aquele império conquistasse Judá, e os profetas explicavam que isso também era consequência da desobediência do próprio povo de Deus. Mas a Babilônia não era inocente por ter participado desse acontecimento. Ela agiu com violência e arrogância. Por isso, em Jeremias 50–51, Deus anuncia que também julgaria aquele império. É nesse contexto que Jeremias o chama de “Deus da recompensa”: o poder da Babilônia não a colocava acima da justiça de Deus.
Essa expressão mostra que Deus vê o que as pessoas e as nações fazem e que pode chamá-las a responder por isso. No caso da Babilônia, a retribuição anunciada era seu julgamento. Isso não significa, porém, que toda dificuldade que alguém enfrenta hoje seja uma punição direta por algum pecado específico. Jeremias estava falando de um julgamento anunciado por Deus numa situação concreta.
E o que isso muda pra nós? Primeiro, podemos confiar que a injustiça não passa despercebida diante de Deus, mesmo quando parece que ninguém vai fazer nada. Segundo, essa confiança não nos dá licença pra nos vingar. Paulo ensina em Romanos 12:17–19 que não devemos pagar o mal com o mal, mas deixar a retribuição nas mãos de Deus.
A Bíblia também diz que Deus julga as pessoas com justiça (Romanos 2:6–11). Ao mesmo tempo, ela ensina que a vida eterna não é um pagamento que conseguimos conquistar por boas obras: somos salvos pela graça, mediante a fé em Cristo (Efésios 2:8–10). Assim, chamar o Senhor de “Deus da recompensa” é reconhecer que ele faz justiça. Podemos entregar a ele aquilo que não temos o direito nem a capacidade de resolver pela vingança.