Deus pode curar, e a Bíblia nos ensina a pedir a ajuda dele quando estamos doentes. Mas ela não promete que toda pessoa que ora será curada nesta vida. Isso pode ser muito difícil de aceitar, principalmente quando a doença é grave e a oração foi feita com toda a sinceridade.
Uma coisa precisa ficar clara desde o começo: continuar doente não prova falta de fé. Paulo aconselhou Timóteo a cuidar do estômago e das enfermidades frequentes que tinha (1 Timóteo 5:23). Ele também contou que havia deixado Trófimo doente em Mileto (2 Timóteo 4:20). Eram pessoas próximas de um apóstolo, e nem por isso foram curadas naquele momento. Por isso, ninguém deve olhar pra alguém que sofre e concluir que essa pessoa não creu o suficiente.
As curas de Jesus mostram que ele tem poder sobre as doenças e que se importa com quem sofre. Elas também mostravam quem ele era e davam uma ideia do que Deus fará quando acabar de vez com o sofrimento. Mas Jesus não prometeu que todos os seus seguidores passariam pela vida sem adoecer. Em João 5, por exemplo, ele curou um homem que estava entre muitas pessoas doentes.
Então, por que Deus cura algumas pessoas e outras não? A Bíblia não nos dá uma explicação para cada caso. Não podemos afirmar que sabemos o motivo de uma pessoa específica continuar doente. O que sabemos é que Deus ouve nossas orações, pode curar e nos convida a levar nossas necessidades a ele. Ao mesmo tempo, pedir com fé não significa determinar o que Deus fará. Podemos confiar nele sem fingir que entendemos tudo o que está acontecendo (1 João 5:14).
O próprio Paulo pediu repetidas vezes que Deus retirasse dele um sofrimento que chamou de “espinho na carne”. Não sabemos com certeza se era uma doença. Sabemos que Deus não retirou aquele sofrimento e prometeu sustentá-lo em sua fraqueza (2 Coríntios 12:7-9). Isso não torna a dor boa nem faz a oração ser inútil. Mostra que a resposta de Deus nem sempre é livrar a pessoa imediatamente daquilo que ela enfrenta.
Por isso, é certo orar por cura, como ensina Tiago 5:14-16. Também é certo buscar tratamento e cuidar de quem está doente. Essas coisas não competem com a fé. E, se a cura não vier, a pessoa não deve ser culpada nem abandonada: ela precisa de companhia, ajuda prática e liberdade pra falar da sua dor.
A esperança cristã vai além de uma melhora temporária. Mesmo quem é curado hoje um dia voltará a enfrentar a morte. Mas Deus promete um futuro em que não haverá mais morte, luto nem dor (Apocalipse 21:4). Até lá, podemos pedir a cura com confiança no poder de Deus, sem prometer o que ele não prometeu, e continuar perto de quem sofre.