Quando a Bíblia diz que Deus “se arrependeu”, isso não significa que ele tenha pecado, cometido um erro ou descoberto algo que não sabia. Em algumas passagens, a expressão mostra que Deus deixou de fazer o que havia anunciado, porque as pessoas mudaram de atitude. Em outras, mostra a profunda tristeza de Deus diante do mal que as pessoas fizeram.
Um exemplo claro está na história de Nínive. Deus anunciou que a cidade seria destruída. Os moradores, porém, abandonaram seus maus caminhos, e Deus não trouxe a calamidade anunciada (Jonas 3:4-10). Isso não quer dizer que Deus tenha feito uma ameaça sem saber o que aconteceria depois. O aviso era uma oportunidade real pra aquelas pessoas se arrependerem.
O próprio Deus explica esse modo de agir em Jeremias 18:7-10: se ele anuncia um castigo contra uma nação e ela abandona o mal, pode deixar de trazer aquele castigo. Assim, a mudança na ação de Deus não é uma mudança no seu caráter. Pelo contrário: ele age de acordo com o que sempre mostrou ser — justo diante do mal e misericordioso com quem se arrepende.
Há também passagens em que a palavra aponta pra tristeza, não pra uma decisão de retirar um castigo. Gênesis 6:6 diz que Deus se entristeceu por ter feito o ser humano, ao ver a maldade que se espalhava pela terra. E, em 1 Samuel 15:11, Deus expressa sua tristeza por ter colocado Saul como rei, pois Saul deixou de lhe obedecer. O mesmo capítulo diz que Deus não é como um ser humano que se arrepende (1 Samuel 15:29). As duas afirmações fazem sentido juntas: Deus sentiu tristeza pelo que Saul fez e o rejeitou como rei, mas não havia escolhido Saul por engano nem mudou de decisão por ser falho.
Então, quando a Bíblia fala do “arrependimento” de Deus, precisamos olhar o contexto. Deus pode mudar o que faz em resposta ao que as pessoas fazem, e o pecado humano realmente o entristece. O que não muda é quem ele é. Ele não precisa corrigir erros nem aprender fatos novos pra decidir como agir.