A Bíblia fala do cuidado de Deus usando, às vezes, imagens de uma mãe. Mas não o chama de “Deus Mãe”. Quando Jesus ensina seus discípulos a orar, ele os ensina a se dirigir a Deus como Pai (Mateus 6:9). Essa é também a maneira como o Novo Testamento fala da relação de Deus com aqueles que ele recebe como filhos (Romanos 8:15-16).
Isso não significa que Deus seja homem como um ser humano. Deus é espírito (João 4:24); ele não tem um corpo masculino nem um corpo feminino. Além disso, homens e mulheres foram criados à imagem de Deus (Gênesis 1:27). Por isso, chamar Deus de Pai não quer dizer que os homens se pareçam mais com ele ou que as mulheres tenham menos valor.
Então por que a Bíblia usa imagens de mãe? Porque elas ajudam a mostrar como Deus cuida do seu povo. Em Isaías 66:13, Deus compara o consolo que dá a Jerusalém ao consolo que uma mãe dá ao filho. Em Isaías 49:15, ele diz que não se esquecerá do seu povo, mesmo que uma mãe se esqueça do bebê que amamenta. Essas comparações nos ensinam algo verdadeiro sobre Deus: seu amor é atento e fiel. Mas comparar o cuidado de Deus ao de uma mãe não é o mesmo que dar a ele o título de “Mãe”.
A distinção é importante porque não precisamos escolher entre chamar Deus de Pai e reconhecer nele ternura e cuidado. A própria Bíblia nos ensina as duas coisas. Também não precisamos concluir que Deus se parece com todo pai humano. Alguns pais falham gravemente, e isso pode tornar difícil chamar Deus de Pai. Nesse caso, vale conhecer como Jesus apresenta o Pai: alguém que sabe dar boas coisas aos seus filhos e acolhe quem volta pra ele (Mateus 7:11; Lucas 15:20-24).
Portanto, é bíblico dizer que Deus cuida de nós com a ternura que associamos a uma mãe. Mas, ao nos dirigirmos a ele, o caminho que Jesus nos ensinou é chamá-lo de Pai.