Paulo não diz quem é o “detentor”. Ele diz que alguém — ou algo — está impedindo que o “iníquo” seja revelado antes do tempo determinado. Por isso, dá pra entender o que o detentor faz, mas não afirmar com certeza quem ele é.
A dúvida aparece numa explicação que Paulo deu aos cristãos de Tessalônica. Eles estavam preocupados com a ideia de que o Dia do Senhor já havia chegado. Paulo os tranquilizou: antes dos acontecimentos de que falava, viria uma rebelião contra Deus e seria revelado o homem da iniquidade, chamado também de iníquo. Esse homem se oporia a Deus e enganaria pessoas com sinais associados à ação de Satanás (2 Tessalonicenses 2:3-4, 9-10).
Mas ele ainda não havia sido revelado. Paulo explica que algo o detinha, de modo que isso só aconteceria no tempo certo. Depois, fala de “aquele que agora o detém” e diz que o iníquo será revelado quando essa restrição deixar de agir (2 Tessalonicenses 2:6-8). Os tessalonicenses provavelmente sabiam a quem Paulo se referia, porque ele já tinha conversado com eles sobre o assunto (2 Tessalonicenses 2:5). Nós não recebemos essa parte da conversa.
Uma interpretação conhecida é que o detentor seja o Espírito Santo agindo por meio da igreja. Ela destaca que o Espírito de Deus atua nos cristãos e que Deus tem poder pra impedir os planos de Satanás. Essa é uma possibilidade, mas Paulo não menciona o Espírito Santo nem a igreja nesses versículos. Por isso, também não dá pra concluir, só com base nessa passagem, que a igreja será retirada da terra antes de o iníquo aparecer.
Outros entendem que Paulo se referia à autoridade do governo, que põe limites à desordem. Alguns pensam especificamente no Império Romano, que existia quando a carta foi escrita. Há ainda quem entenda o detentor como uma ação direta de Deus, sem identificar uma pessoa ou instituição. Essas interpretações procuram explicar a mesma coisa: por que o iníquo não podia aparecer naquele momento. Nenhuma delas, porém, é identificada claramente por Paulo.
Então a resposta mais honesta é esta: não sabemos com certeza quem é o detentor. O ponto que Paulo deixa claro é que o mal já estava agindo, mas não podia seguir sem limites nem determinar sozinho o momento de sua manifestação. E o fim do iníquo também não fica em dúvida: Paulo afirma que Jesus o destruirá quando vier (2 Tessalonicenses 2:8).