Deus não está dizendo que estudar, pensar ou fazer perguntas é errado. Em 1 Coríntios 1:19, ele está falando de uma sabedoria humana que se acha capaz de julgar os planos de Deus e rejeita aquilo que Deus fez pra salvar as pessoas. Deus “destrói” essa sabedoria ao mostrar que ela não consegue alcançar, por si mesma, o que mais importa: conhecê-lo e receber a salvação.
Paulo escreveu isso a uma igreja dividida. Os cristãos de Corinto estavam dando importância demais a quem ensinava melhor e a quem parecia mais impressionante (1 Coríntios 1:10-12; 3:3-7). Por isso, Paulo os levou de volta ao centro da fé: Jesus Cristo morreu na cruz. À primeira vista, um Salvador crucificado podia parecer uma derrota. Mas foi justamente por meio da morte de Jesus que Deus abriu o caminho pra perdoar pecadores (1 Coríntios 1:18, 23-24).
É nesse contexto que Paulo cita Isaías 29:14. Nos dias de Isaías, havia pessoas que diziam honrar a Deus, mas confiavam mais nos próprios planos do que nele (Isaías 29:13-14). Ao citar essa passagem, Paulo mostra que o problema continuava: quando alguém mede Deus apenas pelos padrões que considera inteligentes, pode acabar rejeitando a própria ação de Deus.
Isso não significa que a fé exige abandonar a razão. Paulo argumenta, explica e procura convencer seus leitores. A diferença é que nossa capacidade de pensar tem limites. Ela não nos dá o direito de exigir que Deus salve as pessoas do modo que nós escolheríamos. A cruz confronta especialmente a ideia de que podemos nos apresentar diante dele confiando na nossa inteligência, importância ou mérito.
Portanto, a frase não significa que Deus destruirá toda pessoa inteligente, nem que despreza o conhecimento. Significa que ele mostra a insuficiência da sabedoria que se orgulha de si mesma e despreza Cristo. O que parecia fraqueza na cruz era, na verdade, a maneira pela qual Deus estava agindo pra salvar. Por isso, ninguém pode dizer que chegou a Deus por ser mais sábio que os outros; a salvação depende da graça de Deus, não do orgulho humano (1 Coríntios 1:27-31).