Significa que Jesus não recebeu o reconhecimento e a acolhida que se esperaria para aquele que Deus enviou. Em Isaías 53:3, o profeta descreve o servo do Senhor como alguém de quem as pessoas se afastam e a quem não dão valor. Os cristãos entendem que essa descrição se cumpriu em Jesus, especialmente em seu sofrimento e em sua morte.
Isso não quer dizer que ninguém tenha amado ou seguido Jesus. Ele teve discípulos e foi recebido por muitas pessoas. Mas também enfrentou incredulidade e oposição. Alguns líderes religiosos procuraram prendê-lo e matá-lo (Mateus 12:14; 26:3-4). Outros o rejeitaram mesmo depois de ver o que ele fazia (João 12:37). Quando foi preso, até seus discípulos fugiram (Marcos 14:50).
Na crucificação, esse desprezo ficou ainda mais evidente. Jesus foi acusado, açoitado e entregue à morte. Soldados romanos zombaram dele: puseram nele uma coroa de espinhos e fingiram homenageá-lo como rei (Mateus 27:27-31). Não foram todos os judeus que o rejeitaram, nem a responsabilidade por sua morte pode ser atribuída a um povo inteiro. Os relatos mostram decisões de pessoas e grupos concretos, entre eles autoridades religiosas, a multidão que pediu sua condenação e o governador romano que autorizou a execução.
Isaías, porém, não descreve apenas *como* o servo seria tratado. O capítulo também ajuda a entender por que seu sofrimento importa. As pessoas o desprezaram e julgaram seu sofrimento de maneira errada; segundo Isaías 53:4-6, ele sofria pelos pecados de outros. No entendimento cristão, Jesus não morreu porque seu plano fracassou. Ele aceitou sofrer e morrer para salvar pecadores — inclusive pessoas que não o reconheceram.
Por isso, dizer que Cristo foi “desprezado e rejeitado” é mais do que dizer que ele passou por momentos de tristeza. É reconhecer que o Salvador foi tratado como alguém sem valor. E é perceber o contraste que está no centro de Isaías 53: aquele que muitos rejeitaram foi justamente aquele por meio de quem Deus trouxe salvação.