Não por si só. O desvio para o vermelho é uma observação importante que ajuda a entender a história do universo. Ele dá fortes motivos pra concluir que o universo está se expandindo, mas não demonstra, sozinho, quem o criou, por que existe ou como Deus realizou a criação.
A luz viaja em ondas. Quando os astrônomos estudam a luz de galáxias muito distantes, percebem que certos padrões dessa luz chegam com ondas mais longas do que o esperado. Isso é chamado de *desvio para o vermelho*. No caso dessas galáxias, a principal explicação é que o espaço se expandiu enquanto a luz viajava até nós. Em geral, quanto mais distante está a galáxia, maior é o desvio observado.
Isso não quer dizer que todas as estrelas estejam se afastando da Terra. As estrelas da nossa galáxia se movem em várias direções, e até há galáxias próximas que se aproximam de nós. O que os astrônomos observam é uma tendência em grande escala, ao olhar pra galáxias distantes: o espaço entre elas está aumentando.
Essa descoberta mudou a maneira de pensar sobre o universo. Se ele está se expandindo hoje, no passado as regiões que observamos estavam muito mais próximas umas das outras. Essa é uma das bases do modelo do big bang, que descreve o universo primitivo como extremamente quente e denso. Mas precisamos ter cuidado com um passo além disso: a expansão não prova que toda a matéria esteve num “ponto infinitamente pequeno”, nem resolve, por si, a pergunta sobre a origem última do universo.
E qual é a relação disso com a Bíblia? Gênesis 1:1 apresenta Deus como o criador dos céus e da terra. Salmo 19:1 e Romanos 1:20 ensinam que a criação revela algo sobre ele. Pra um cristão, estudar o universo pode aumentar a admiração pelo Criador. Mas esses textos não descrevem o desvio para o vermelho nem apresentam um modelo científico da expansão do espaço.
Por isso, o desvio para o vermelho é compatível com a fé num universo criado por Deus, mas não é uma prova exclusiva do criacionismo. Pessoas com crenças diferentes aceitam a expansão do universo e discordam sobre o que ela significa em relação a Deus. Também há cristãos que entendem de maneiras diferentes a idade do universo e os detalhes da criação.
A distinção mais importante é esta: a astronomia procura entender como o universo se desenvolveu a partir das evidências que podemos observar. A afirmação bíblica de que Deus é o Criador responde a uma pergunta mais profunda: de quem, em última análise, tudo depende pra existir. O desvio para o vermelho contribui muito pra primeira investigação; não substitui nem comprova sozinho a segunda.