Não. Sentir desejo sexual não é, por si só, pecado. A Bíblia apresenta o corpo humano e a união entre marido e mulher como partes boas da criação de Deus (Gênesis 1:27-28, 31; 2:24). O desejo pode fazer parte disso. A questão é o que fazemos com ele: nem todo impulso precisa ser seguido, e nem toda maneira de buscar satisfação corresponde ao que Deus ensina.
Essa diferença importa porque sentir algo nem sempre é uma escolha. Uma pessoa pode perceber uma atração sem ter procurado por ela. Isso não é a mesma coisa que alimentar deliberadamente fantasias, tratar outra pessoa como objeto ou decidir fazer algo que sabe ser errado. Jesus levou a sério até mesmo aquilo que acontece no coração: em Mateus 5:27-28, ele advertiu contra olhar pra alguém com a intenção de cobiçá-lo. O ponto não é que notar a beleza de alguém seja pecado, mas que podemos escolher transformar o olhar em desejo cultivado de possuir aquela pessoa.
Segundo o ensino bíblico, a relação sexual pertence à união de um homem e uma mulher no casamento. Gênesis 2:24 apresenta essa união, e Jesus retoma a passagem ao ensinar sobre o casamento em Mateus 19:4-6. Por isso, reconhecer que o desejo sexual pode ser bom não significa dizer que toda forma de expressá-lo seja boa. A Bíblia também chama os cristãos a fugir da imoralidade sexual e a tratar o próprio corpo com respeito (1 Coríntios 6:18-20).
Ao mesmo tempo, a Bíblia não ensina que todo mundo precisa se casar pra viver bem diante de Deus. Paulo fala com respeito da vida de solteiro e reconhece que as pessoas vivem essa questão de maneiras diferentes (1 Coríntios 7:7-9). Ter desejo sexual não torna ninguém menos fiel a Deus; e não sentir esse desejo com a mesma intensidade que outras pessoas também não torna ninguém incompleto.
Então, se a sua dúvida vem acompanhada de culpa por simplesmente sentir desejo, não confunda o sentimento com uma decisão de pecar. Você pode reconhecer o que sente e, ao mesmo tempo, escolher como vai agir. O chamado cristão não é odiar o próprio corpo nem deixar que o desejo mande em tudo. É aprender a lidar com ele com domínio próprio, respeito pelas outras pessoas e fidelidade a Deus.