Porque, em algumas passagens, “filho” significa “descendente”, não apenas alguém nascido diretamente de uma pessoa. Do mesmo modo, “pai” pode significar um antepassado. O contexto é que mostra de qual relação a Bíblia está falando.
Veja o caso de Labão. Em Gênesis 29:5, ele é chamado de “filho de Naor”. Mas, ao acompanhar a história da família em Gênesis 24:15, 24 e 29, descobrimos que Betuel era filho de Naor e Labão era filho de Betuel. Portanto, Labão era neto de Naor. A expressão não pula uma geração por engano; ela identifica Labão como alguém da família de Naor.
Outro exemplo ajuda a perceber como esse modo de falar funcionava: em Mateus 1:1, Jesus é chamado de filho de Davi e de Abraão. Ninguém precisava entender que Davi ou Abraão eram seus pais imediatos. A ideia é que Jesus vinha da descendência deles. No caso de Davi, isso tinha uma importância especial, porque o povo de Israel esperava o rei prometido por Deus à sua família (2 Samuel 7:12-16).
Isso não quer dizer que toda vez que aparece a palavra “filho” devemos entendê-la como “descendente distante”. Muitas vezes ela se refere, sim, ao filho imediato. Por isso, quando uma passagem parece apresentar uma relação de família diferente de outra, vale olhar o restante da história antes de concluir que há uma contradição. Às vezes, uma passagem menciona o parente mais próximo e outra usa “filho” num sentido mais amplo.