Os descendentes de Ismael são, primeiro, os filhos e os povos que vieram desse filho de Abraão com Agar. A Bíblia dá o nome dos seus doze filhos: Nebaiote, Quedar, Abdeel, Mibsão, Misma, Dumá, Massá, Hadade, Tema, Jetur, Nafis e Quedemá. Eles se tornaram chefes de seus grupos familiares, que viveram numa região próxima ao Egito e à Arábia (Gênesis 25:12-18).
A história começa antes do nascimento deles. Abraão e Sara aguardavam o filho que Deus lhes havia prometido. Como Sara ainda não tinha filhos, ela deu sua serva Agar a Abraão, e Agar teve Ismael (Gênesis 16:1-4, 15). Mais tarde nasceu Isaque, filho de Abraão e Sara. Foi por meio de Isaque que Deus confirmou a aliança que havia prometido a Abraão (Gênesis 17:19-21). Mas isso não significava que Deus tinha abandonado Ismael. Ele prometeu cuidar do menino e fazer dele uma grande nação (Gênesis 21:17-20).
E os árabes de hoje? É possível que parte deles tenha Ismael entre seus antepassados. Povos ligados a seus filhos viveram naquela região, e Quedar, por exemplo, volta a ser mencionado em outras passagens bíblicas. Mas a Bíblia não diz que todos os árabes descendem de Ismael. Outros povos também viveram na Arábia e nas regiões vizinhas. Por isso, não dá pra identificar todo árabe de hoje como descendente dele, nem afirmar com segurança a linhagem de uma pessoa apenas por sua origem.
Também é importante não confundir *árabe* com *muçulmano*. Árabe se refere a uma origem cultural e linguística; muçulmano é quem segue o islamismo. Há árabes cristãos e muçulmanos que não são árabes.
Assim, a resposta mais segura é esta: a Bíblia identifica os descendentes de Ismael pelos seus doze filhos e pelos povos que vieram deles. Ela mostra que Deus cumpriu sua promessa de fazer de Ismael um grande povo, mas não fornece uma lista que permita reconhecer todos os seus descendentes atuais. E, segundo o Novo Testamento, qualquer pessoa — descendente de Ismael ou não — pode receber, pela fé em Jesus Cristo, a bênção que Deus prometeu a Abraão (Gálatas 3:8-9, 26-29).