Ser desassociado significa deixar de ser reconhecido como membro de uma comunidade religiosa. Em geral, isso acontece quando a comunidade entende que alguém cometeu uma falta grave e continua nela sem se arrepender. A palavra é usada especialmente entre as Testemunhas de Jeová, mas a pergunta mais importante é: a Bíblia ensina que uma igreja pode tomar essa decisão?
Sim. O Novo Testamento ensina que a igreja deve cuidar de seus membros e, em certas situações, deixar de reconhecer alguém como parte dela. Mas também mostra que essa é uma medida séria, que não deve ser tomada por impulso nem usada pra castigar quem discorda dos líderes.
Jesus ensinou um caminho pra lidar com o pecado de alguém da comunidade. Primeiro, a pessoa deve ser procurada em particular. Se não ouvir, outras pessoas participam da conversa. Se ainda assim não ouvir, o assunto é levado à igreja. Só depois de persistir na recusa é que ela passa a ser tratada como alguém de fora da comunidade de fé (Mateus 18:15–17). A intenção é dar à pessoa oportunidades reais de reconhecer o erro, não expô-la o mais rápido possível.
Paulo trata de um caso grave em 1 Coríntios 5. Um homem da igreja vivia numa situação de imoralidade sexual, e a comunidade aceitava aquilo. Paulo orientou a igreja a afastá-lo. Ele fez, porém, uma distinção importante: não estava dizendo que os cristãos deveriam evitar todas as pessoas de fora da igreja que cometem pecados. A preocupação era com alguém que dizia seguir a Cristo, mas persistia abertamente numa conduta contrária ao que ensinava professar (1 Coríntios 5:9–13).
Isso ajuda a entender o propósito da medida. A igreja não pode afirmar que uma pessoa vive como discípula de Jesus enquanto ignora, sem arrependimento, um pecado grave e conhecido. Ao mesmo tempo, afastá-la não significa considerá-la irrecuperável. O desejo é que ela se arrependa e possa voltar. Paulo orienta os cristãos a não tratar como inimigo quem precisa ser corrigido (2 Tessalonicenses 3:14–15). Ele também fala sobre perdoar e acolher novamente uma pessoa que havia sido disciplinada e demonstrava arrependimento, embora o texto não diga com certeza que se tratava do homem mencionado em 1 Coríntios 5 (2 Coríntios 2:6–8).
Há ainda uma diferença entre retirar alguém da membresia e cortar todo contato pessoal com essa pessoa. Grupos religiosos aplicam regras diferentes nesse ponto. As passagens bíblicas sobre disciplina não devem ser usadas como autorização automática pra abandonar um familiar, agir com crueldade ou impedir qualquer conversa respeitosa com quem foi afastado. A maneira de tratar a pessoa também importa.
Portanto, a desassociação, no sentido de retirar da comunhão da igreja alguém que persiste num pecado grave sem se arrepender, tem fundamento no Novo Testamento. Mas nenhuma comunidade recebe, por isso, permissão pra agir de modo arbitrário. A disciplina cristã precisa lidar com uma falta real, buscar a pessoa com paciência e manter aberta a possibilidade de perdão e restauração.