“Derramar o Espírito Santo” é uma maneira de dizer que Deus dá o seu Espírito às pessoas. A imagem ajuda a entender a promessa: assim como a chuva alcança a terra seca, Deus prometeu agir em seu povo por meio do Espírito, dando-lhe vida e capacitando-o a servi-lo (Isaías 44:3; Joel 2:28-29).
Essa promessa ganhou um cumprimento decisivo no dia de Pentecostes, depois da morte e da ressurreição de Jesus. Os discípulos estavam reunidos em Jerusalém quando o Espírito Santo veio sobre eles. Houve sinais extraordinários, entre eles um som como o de um vento forte e a capacidade de falar em outras línguas. Pedro explicou à multidão que aquilo estava ligado à promessa feita por Deus por meio do profeta Joel (Atos 2:1-21).
O ponto principal não são os sinais daquele dia, mas o que Deus estava mostrando por meio deles. O Espírito não seria dado somente a algumas pessoas escolhidas pra tarefas específicas. Filhos e filhas, jovens e idosos, homens e mulheres que serviam a outros estavam incluídos na promessa de Joel. Isso não quer dizer que todas as pessoas receberiam o Espírito independentemente de sua resposta a Deus. Em Atos 2, Pedro chamou seus ouvintes ao arrependimento e à fé em Jesus (Atos 2:38-39).
O que mudou depois de Pentecostes? O Espírito já agia antes disso. O Antigo Testamento conta, por exemplo, que ele capacitou pessoas como Gideão e Davi (Juízes 6:34; 1 Samuel 16:13). Portanto, não foi em Pentecostes que o Espírito começou a existir ou a agir. A novidade foi o cumprimento da promessa de Jesus de enviar o Espírito aos seus seguidores (João 14:16-17; Atos 1:4-8). Desde então, receber o Espírito faz parte da vida de quem pertence a Cristo; não é um privilégio reservado a líderes ou a pessoas que tiveram uma experiência extraordinária (Romanos 8:9; Efésios 1:13-14).
O livro de Atos também mostra o Espírito sendo recebido por samaritanos e por não judeus (Atos 8:14-17; 10:44-48). Isso foi importante pra igreja entender que Deus estava acolhendo pessoas de povos diferentes no mesmo povo de Cristo. A experiência dos não judeus na casa de Cornélio, por exemplo, convenceu Pedro de que eles também haviam recebido de Deus o mesmo dom (Atos 11:15-18).
É bom distinguir receber o Espírito de ser cheio do Espírito. O Novo Testamento ensina que quem pertence a Cristo tem o Espírito. Ao mesmo tempo, orienta os cristãos a serem cheios dele, ou seja, a viverem sob sua direção (Efésios 5:18). Em Atos, pessoas que já haviam recebido o Espírito voltaram a ser cheias dele pra falar com coragem (Atos 4:31). Por isso, pedir a Deus que nos fortaleça e nos dirija pelo Espírito continua fazendo sentido.
Cristãos entendem de maneiras diferentes o uso da expressão “novo derramamento” hoje. Alguns a usam pra pedir uma atuação renovada e poderosa do Espírito; outros preferem reservar “derramamento” pro acontecimento que começou em Pentecostes. Mas não precisamos imaginar que o Espírito tenha ido embora e precise ser enviado outra vez como naquele dia. Pentecostes marcou o cumprimento da promessa; hoje, quem crê em Jesus pode contar com a presença do Espírito e pedir que ele continue agindo em sua vida.