Pedro não diz que o sofrimento é pequeno ou que o cristão precisa fingir que está bem. Em 1 Pedro 5:10, ele diz que, depois de seus leitores sofrerem “por um pouco de tempo”, o próprio Deus vai restaurá-los, firmá-los, fortalecê-los e colocá-los sobre uma base segura. O incentivo está aí: o sofrimento não terá a última palavra sobre quem pertence a Cristo.
Pedro escrevia a cristãos que enfrentavam dificuldades por causa da fé. Pouco antes, ele os aconselhou a resistir ao diabo, permanecendo firmes, e lembrou que outros cristãos também passavam por sofrimentos (1 Pedro 5:8-9). Ele não ofereceu uma frase bonita pra encerrar o assunto. Apontou pra uma promessa de Deus dirigida a pessoas que precisavam de forças pra continuar.
Mas o que significa sofrer “por um pouco de tempo”? Não quer dizer que a dor passa depressa. Algumas provações duram anos, e outras podem acompanhar uma pessoa pelo resto da vida. Pedro chama esse tempo de breve porque o compara com aquilo que vem depois: Deus chamou os que estão em Cristo pra participar de sua glória eterna. A dor presente é real, mas não é eterna.
As quatro ações que Pedro menciona mostram o cuidado de Deus por inteiro. Ele vai restaurar os seus — o sofrimento não os deixará para sempre na condição em que estão agora. Vai firmá-los e fortalecê-los, dando-lhes condições de permanecer fiéis. E vai estabelecê-los, de modo que seu futuro com ele esteja seguro. Já podemos contar com a ajuda de Deus em meio às dificuldades; a restauração completa, porém, faz parte da esperança futura, quando ele acabará com a morte, o luto e a dor (Apocalipse 21:3-5).
Isso não é uma promessa de que toda doença será curada agora ou de que toda situação difícil terminará logo. O próprio Pedro fala de pessoas que talvez precisem sofrer por fazer o bem (1 Pedro 3:14, 17). A promessa é maior do que um alívio imediato: Deus não abandonará os seus no sofrimento e completará o que começou neles.
Por isso, quem sofre não precisa negar a dor nem concluir que Deus se esqueceu de si. Pedro chama Deus de “Deus de toda a graça” (1 Pedro 5:10). É da bondade dele, não da nossa capacidade de aguentar tudo sozinhos, que vem essa esperança.