A Bíblia não ensina que demônios morem em objetos ou fiquem presos a eles. Ela fala de espíritos malignos agindo contra pessoas, mas não apresenta um objeto como morada de um demônio. Por isso, não há motivo bíblico pra achar que uma peça de roupa, um livro ou um enfeite tenha poder espiritual sobre alguém só porque pertenceu a uma pessoa envolvida com o ocultismo.
Isso não quer dizer que o uso de objetos em práticas ocultas seja inofensivo. A Bíblia condena a busca por poderes espirituais fora de Deus (Deuteronômio 18:10-12). O problema, porém, está na prática e na confiança depositada nela, não numa suposta presença de um demônio dentro do objeto.
Um episódio que ajuda a entender essa diferença está em Atos 19:18-20. Depois de crerem em Jesus, pessoas que praticavam magia reuniram seus livros e os queimaram. O texto não diz que havia demônios naqueles livros. Mostra que elas estavam abandonando a magia de forma concreta. Os livros ensinavam práticas com as quais elas não queriam mais ter ligação.
Algo parecido pode fazer sentido hoje. Quem deixou o ocultismo pode decidir se desfazer de objetos usados nessas práticas. Não precisa fazer isso por medo de que os objetos estejam possuídos, mas porque não quer continuar usando aquilo pra uma prática que abandonou. Mesmo nesse caso, é bom não ir além do que a Bíblia diz: ela não explica tudo o que espíritos malignos podem ou não fazer com objetos. O que podemos afirmar é que ela não nos orienta a procurar demônios neles nem a viver com medo deles.
A orientação bíblica pro cristão é outra: permanecer firme na fé, resistir ao diabo e confiar em Deus (Tiago 4:7; 1 Pedro 5:8-9). Se algum objeto está ligado a uma prática que você sabe que precisa deixar, abandone essa prática e decida com liberdade o que fazer com o objeto. Mas não viva com a ideia de que ele, por si só, pode afastar você da proteção de Cristo (1 João 4:4).