Porque Jesus sabia o sofrimento que estava prestes a enfrentar. Pouco antes de ser preso, ele orou no jardim do Getsêmani e pediu ao Pai que, se fosse possível, aquele “cálice” passasse dele. Mas acrescentou que queria fazer a vontade do Pai, não a sua própria (Mateus 26:39).
O cálice era uma maneira de falar daquilo que Jesus teria de enfrentar. Ele sabia que seria preso, rejeitado e morto. E sua morte não seria apenas mais uma execução injusta: Jesus entregaria a vida pelos pecadores (Marcos 10:45; 1 Pedro 2:24). Por isso, o sofrimento que estava diante dele era profundo. Ele chegou a dizer aos discípulos que estava tomado por uma tristeza quase insuportável (Mateus 26:38).
A oração mostra que Jesus era realmente humano. Sentir angústia diante da dor e da morte não é pecado. Ele não pediu o cálice por falta de amor pelas pessoas, nem porque tivesse desistido de obedecer a Deus. Apresentou com sinceridade ao Pai o que sentia e, ao mesmo tempo, se dispôs a fazer o que o Pai queria. Quando orou outra vez, falou da possibilidade de ter de beber aquele cálice para que a vontade de Deus se cumprisse (Mateus 26:42).
Jesus já havia dito aos discípulos que seria morto e ressuscitaria (Marcos 8:31). Depois da oração, não fugiu. Seguiu voluntariamente até a cruz. A Bíblia ensina que sua entrega foi o meio pelo qual Deus nos oferece perdão: Jesus levou nossos pecados e fez, de uma vez por todas, o sacrifício necessário por eles (Isaías 53:5-6; Hebreus 10:10-14).
Então, aquela oração nos deixa ver duas coisas ao mesmo tempo: Jesus sentiu de verdade o peso do que viria e escolheu obedecer ao Pai. Ele não enfrentou a cruz sem dor ou medo; enfrentou-a por amor.