Casar-se não significa abandonar pai e mãe. Significa formar uma nova família. Em Gênesis 2:24, o homem deixa pai e mãe e se une à sua mulher. O ponto não é cortar o contato com os pais, mas reconhecer que, no casamento, marido e mulher passam a construir a vida juntos. Ao mesmo tempo, o mandamento de honrar pai e mãe continua valendo (Êxodo 20:12).
Essa diferença ajuda muito: honrar os pais é tratá-los com respeito e cuidar deles quando precisam; não é deixar que continuem governando a vida do casal. Um filho casado pode ouvir um conselho dos pais e agradecer por ele, sem ser obrigado a segui-lo. Decisões sobre a casa, o dinheiro e os filhos precisam ser conversadas pelo casal, não impostas por uma das famílias.
Por isso, se um pai ou uma mãe exige participar de todas as decisões, ou espera que o filho tome seu partido contra o cônjuge, é certo estabelecer limites. Dá pra fazer isso com respeito: ouvir sem ofender, dizer com clareza o que o casal decidiu e manter essa decisão, mesmo que os pais não gostem. Deixar pai e mãe pode ser difícil, mas não exige frieza nem desrespeito.
O outro lado também importa. Formar uma nova família não dá ao casal licença pra ignorar necessidades reais dos pais. Jesus criticou quem usava uma justificativa religiosa pra deixar de ajudá-los (Marcos 7:9-13). Paulo também ensinou que os filhos devem cuidar dos familiares que dependem deles (1 Timóteo 5:4, 8). Se um pai ou uma mãe idosa precisa de ajuda com saúde, alimentação ou despesas, o casal deve levar isso a sério. Nem todo pedido, porém, é uma necessidade: ajudar os pais não significa atender a cada exigência ou permitir que controlem a rotina da casa.
E se o casal discordar sobre a ajuda a oferecer? Vale conversar com calma sobre o que os pais realmente precisam e sobre o que é possível fazer. O cônjuge não deve ser deixado de lado, mas também não seria certo recusar ajuda necessária só por antipatia pelo sogro ou pela sogra. Às vezes, cuidar bem dos pais exige tempo, dinheiro e mudanças na rotina; justamente por isso, é importante que marido e mulher procurem decidir juntos como fazer isso.
Em resumo, o casamento muda quem toma as decisões da nova família, mas não acaba com o dever de amar e cuidar dos pais. Os pais continuam sendo honrados; o cônjuge passa a ser a pessoa com quem se divide e se constrói a vida.