Depende do sentido em que a palavra está sendo usada. No dia a dia, muita gente chama de “seita” qualquer grupo religioso que acha estranho ou desconhecido. Esse uso é impreciso: um grupo não é uma seita só porque tem costumes diferentes, nem é preciso haver rituais assustadores pra que seus ensinamentos sejam preocupantes.
Quando cristãos usam a palavra para avaliar uma doutrina, geralmente estão falando de um grupo que se apresenta como cristão, mas ensina algo contrário a uma verdade essencial da fé cristã. Nesse caso, a pergunta mais importante não é “Esse grupo parece estranho?”, e sim: “O que ele ensina sobre Jesus e sobre a salvação?”
A Bíblia ensina que Jesus não foi apenas um mestre enviado por Deus. Ele é o Filho de Deus que se tornou humano, morreu pelos nossos pecados e ressuscitou (João 1:1, 14; 1 Coríntios 15:3-4). Ensina também que somos salvos pela graça de Deus, por meio da fé, e não porque conseguimos merecer a salvação com boas obras. As boas obras têm seu lugar, mas vêm como resultado da vida que Deus nos dá; não são o preço pago por ela (Efésios 2:8-10).
Por isso, do ponto de vista cristão evangélico, há um problema sério quando um grupo usa o nome de Jesus, mas ensina que ele não é quem o Novo Testamento apresenta, ou que sua obra não basta e a pessoa precisa conquistar a salvação pelos próprios méritos. Não se trata de dizer que todo erro sobre a Bíblia transforma um grupo em seita. Cristãos podem discordar em assuntos importantes sem negar o centro da fé.
As Testemunhas de Jeová, por exemplo, se identificam com o cristianismo, mas não aceitam que Jesus seja Deus no mesmo sentido afirmado pela fé cristã histórica. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias também se identifica como cristã e fala da divindade de Jesus, mas entende Deus e a relação entre o Pai e o Filho de uma maneira diferente da fé cristã histórica. Esses exemplos mostram por que não basta perguntar se um grupo *fala* de Jesus: é preciso entender o que ele quer dizer com esse nome.
Por fim, avaliar os ensinamentos de um grupo não significa julgar o caráter de cada pessoa que faz parte dele. Alguém pode ser sincero e ainda assim estar aprendendo algo equivocado. O caminho mais justo é examinar as crenças com cuidado, comparar o que é ensinado com as Escrituras e tratar as pessoas com respeito.