A palavra mal pode indicar duas coisas diferentes. Pode ser aquilo que é moralmente errado, como mentir, explorar alguém ou adorar outros deuses. Mas também pode indicar algo que causa sofrimento, como uma doença ou uma tragédia. Essa diferença importa porque sofrer um mal não é o mesmo que praticar o mal.
Quando a Bíblia fala do mal moral, ela está falando de pensamentos, desejos, escolhas e atitudes contrários ao que Deus quer. Deus é justo e bom; por isso, a injustiça e a crueldade são más. O mal não está apenas nos atos mais graves. Jesus ensinou que o ódio e o desprezo já precisam ser levados a sério, mesmo antes de se tornarem violência; ele também mostrou que o pecado pode começar no coração antes de aparecer nas ações (Mateus 5:21-28; Marcos 7:20-23).
Isso ajuda a entender por que o mal é mais profundo do que uma lista de coisas proibidas. O roubo é errado não só porque quebra uma regra, mas porque tira do outro o que lhe pertence. A mentira destrói a confiança. A idolatria troca Deus por algo que não é Deus. Em cada caso, algo que deveria ser bom — a relação com Deus e com as pessoas — é prejudicado pelo pecado.
Já quando alguém fala do “mal” de uma enchente ou de uma enfermidade, está falando do sofrimento que aquilo causa, não dizendo que a água ou a pessoa doente cometeu um pecado. A Bíblia reconhece que vivemos num mundo marcado pela dor e pela morte (Romanos 8:20-22). Em alguns relatos, ela apresenta uma calamidade como julgamento de Deus, como na destruição de Sodoma (Gênesis 19; 2 Pedro 2:6). Mas não podemos concluir, por conta própria, que toda tragédia seja castigo por um pecado de quem sofreu. Jesus rejeitou esse tipo de conclusão ao falar de pessoas atingidas por uma tragédia e ao tratar de um homem que havia nascido cego (Lucas 13:1-5; João 9:1-3).
A Bíblia também deixa claro que Deus não tenta ninguém a pecar (Tiago 1:13). Nós somos responsáveis pelo mal que fazemos. E, embora todos precisemos reconhecer nosso pecado diante dele (Romanos 3:10, 23), o evangelho não termina nessa constatação: Deus oferece perdão por meio de Jesus Cristo e nos chama a abandonar o pecado (Atos 3:19).
Então, de forma simples: mal moral é aquilo que se opõe ao caráter e à vontade de Deus; mal também pode ser o sofrimento que atinge as pessoas, mesmo sem culpa delas. Entender a diferença nos ajuda a assumir a responsabilidade pelo mal que praticamos, sem acusar injustamente quem está sofrendo.