É um documento escrito por líderes evangélicos em 1978 para explicar por que eles consideravam a Bíblia inteiramente verdadeira e confiável. A palavra inerrância quer dizer, nesse contexto, que as Escrituras não afirmam nada falso naquilo que ensinam.
A declaração nasceu de uma preocupação: se a Bíblia é a Palavra de Deus, podemos confiar em tudo o que ela diz ou apenas em suas mensagens sobre fé e salvação? Os participantes defenderam que sua confiabilidade não se limita aos assuntos religiosos. Ao mesmo tempo, fizeram uma distinção importante: para entender o que a Bíblia afirma, é preciso ler cada passagem do jeito que ela foi escrita. Um poema não fala como uma lista de datas; uma expressão aproximada não é um erro só por não ter a precisão de um relatório moderno.
O documento reúne um prefácio, uma breve exposição de suas ideias principais e dezenove artigos. Esses artigos tratam, entre outras coisas, da origem divina da Bíblia, do trabalho dos autores humanos que a escreveram e de como ela deve ser interpretada. A declaração também esclarece que a inerrância se aplica, em sentido estrito, aos textos originais escritos pelos autores bíblicos. Isso não significa que cópias e traduções não tenham valor. Significa que erros cometidos ao copiar ou traduzir um texto não devem ser atribuídos ao que seus autores escreveram.
A base bíblica dessa confiança está, por exemplo, em 2 Timóteo 3:16-17, que apresenta as Escrituras como inspiradas por Deus e úteis para ensinar, corrigir e preparar o cristão para viver bem. Em 2 Pedro 1:20-21, a mensagem dos profetas é ligada à ação do Espírito Santo. Essas passagens sustentam a convicção de que Deus falou por meio de pessoas reais, sem apagar a maneira própria de cada autor escrever. A Declaração de Chicago é uma explicação teológica dessa convicção, não um texto que faz parte da Bíblia.
Por fim, seus autores não disseram que uma pessoa precisa conhecer ou aceitar a palavra *inerrância* para ser salva. O ponto deles era outro: a maneira como tratamos a verdade da Bíblia afeta nossa disposição de ouvi-la, aprender com ela e obedecer a Deus. Assim, a declaração procura defender não só uma ideia sobre um livro, mas a confiança de que Deus fala de modo verdadeiro por meio das Escrituras.