Davi era rei de Israel quando viu Bate-Seba tomando banho. Ele soube que ela era casada com Urias, um soldado de seu exército. Mesmo assim, mandou buscá-la e teve relações com ela. Pouco depois, Bate-Seba avisou que estava grávida (2 Samuel 11:1-5). O relato não diz que ela procurou Davi nem esclarece até que ponto pôde recusar a ordem do rei. O que deixa claro é a responsabilidade de Davi: ele sabia que ela era casada e usou seu poder pra trazê-la ao palácio.
Ao receber a notícia da gravidez, Davi tentou esconder o que tinha feito. Chamou Urias de volta da guerra e procurou fazê-lo ir pra casa, esperando que todos pensassem que o filho era dele. Mas Urias não quis descansar com a esposa enquanto seus companheiros continuavam na batalha. Davi tentou outra vez e não conseguiu. Então enviou uma ordem ao comandante Joabe: Urias deveria ser colocado onde a luta fosse mais intensa e deixado sem proteção. Urias morreu. Depois do período de luto de Bate-Seba, Davi se casou com ela (2 Samuel 11:6-27).
Aos olhos dos outros, talvez parecesse que o assunto estava encerrado. Mas Deus enviou o profeta Natã pra confrontar Davi. Natã contou a história de um homem rico que, apesar de ter muitos animais, tomou a única cordeirinha de um homem pobre. Davi ficou indignado. Então Natã mostrou que a história falava dele: Davi tinha tomado a esposa de Urias e causado a morte dele (2 Samuel 12:1-9).
Davi reconheceu seu pecado. Natã lhe anunciou que Deus o havia perdoado, mas também disse que seus atos trariam sofrimento à sua família. O filho que Bate-Seba havia dado à luz morreu, e, nos anos seguintes, a casa de Davi passou por graves conflitos (2 Samuel 12:10-23). Perdoar Davi não significou tratar o que ele fez como algo pequeno nem apagar todas as consequências.
Mais tarde, Davi e Bate-Seba tiveram outro filho, Salomão, que veio a ser rei (2 Samuel 12:24; 1 Reis 1:39). Isso não torna certa a maneira como a história deles começou. Mostra, porém, que Deus continuou agindo na vida daquela família.
Essa história fala de adultério, abuso de poder e assassinato. Também mostra que Davi não conseguiu esconder seu pecado de Deus e que, quando foi confrontado, precisou reconhecê-lo. A Bíblia não apresenta Davi como um homem que nunca falhou, mas como alguém cuja falha grave foi exposta, julgada e perdoada por Deus, embora suas consequências tenham permanecido.