Em Daniel 7, as quatro bestas representam quatro reinos que se sucedem. A própria visão explica isso: elas são chamadas de quatro reis, e depois a quarta besta é chamada de reino (Daniel 7:17, 23). Por isso, não se trata apenas de quatro governantes, mas dos poderes que eles representam.
Daniel vê esses animais saírem de um mar agitado. Cada um é diferente do anterior:
- A primeira parece um leão com asas de águia. Suas asas são arrancadas; depois, ela fica em pé como uma pessoa e recebe entendimento humano (Daniel 7:4).
- A segunda parece um urso. Ela está levantada de um lado e tem três costelas entre os dentes (Daniel 7:5).
- A terceira parece um leopardo. Tem quatro asas, quatro cabeças e recebe autoridade pra governar (Daniel 7:6).
- A quarta não é comparada a nenhum animal conhecido. É terrível e muito forte, tem dentes de ferro, esmaga o que encontra e possui dez chifres (Daniel 7:7).
O texto diz com clareza que são quatro reinos, mas não dá o nome dos quatro. Uma interpretação cristã bastante conhecida identifica o leão com a Babilônia, o urso com o Império Medo-Persa, o leopardo com a Grécia e a quarta besta com Roma. Essa leitura costuma relacionar Daniel 7 à sequência de reinos mostrada no sonho da estátua em Daniel 2.
Alguns detalhes ajudam a entender essa interpretação. O leão combina com a Babilônia, que governava quando Daniel recebeu a visão; a mudança do animal também lembra o que aconteceu com Nabucodonosor em Daniel 4. O urso levantado de um lado pode indicar o predomínio dos persas na união com os medos. As quatro cabeças do leopardo podem apontar pra divisão do império grego depois de Alexandre. E os dentes de ferro da última besta lembram o ferro do quarto reino em Daniel 2. Essas relações são argumentos a favor da identificação, não explicações que Daniel 7 apresenta expressamente pra cada detalhe.
Há outras leituras entre cristãos que levam a Bíblia a sério. Alguns contam a Média e a Pérsia como reinos separados; assim, entendem que o quarto reino é a Grécia. Também há diferenças sobre como entender os dez chifres e o pequeno chifre que surge entre eles. Daniel afirma que os chifres representam reis e que o pequeno chifre perseguirá o povo de Deus (Daniel 7:24-25). Mas o capítulo não afirma diretamente que haverá um Império Romano reconstruído no futuro. Essa é uma interpretação possível, não uma certeza ensinada ali de forma explícita.
O ponto mais importante da visão é o que acontece depois das bestas. O poder delas tem fim. Deus julga o reino que persegue seu povo, e alguém apresentado como um filho de homem recebe um reino que nunca será destruído (Daniel 7:9-14). Os cristãos reconhecem em Jesus aquele que recebe esse domínio (Mateus 26:64). Assim, Daniel 7 não fala só da ascensão de grandes impérios: mostra que nenhum deles terá a palavra final.