A dúvida é natural: João Batista chamava as pessoas ao arrependimento e as batizava, mas Jesus não tinha pecado do qual se arrepender. Por isso, quando Jesus foi até João, o próprio João achou que as posições deveriam ser invertidas: ele é que precisava ser batizado por Jesus. Foi nesse momento que Jesus disse que deveriam fazer aquilo para cumprir toda a justiça (Mateus 3:13-15).
Nesse contexto, cumprir toda a justiça significa fazer o que era certo diante de Deus naquele momento. Jesus não estava dizendo que precisava se tornar justo, como se lhe faltasse alguma coisa. Ele estava escolhendo obedecer plenamente ao plano do Pai, e receber o batismo de João fazia parte disso.
João havia sido enviado pra preparar o povo para a chegada do Messias. Sua mensagem vinha de Deus (Mateus 3:1-3). Ao aceitar seu batismo, Jesus não estava confessando pecados; estava mostrando que reconhecia aquela missão. E, embora fosse diferente das pessoas que procuravam João para se arrepender, Jesus se colocou entre elas no início da obra que veio realizar.
O que aconteceu logo depois ajuda a entender a importância daquele momento. Quando Jesus saiu da água, o Espírito de Deus desceu sobre ele, e uma voz do céu declarou que ele era o Filho amado de Deus (Mateus 3:16-17). Mais tarde, João contou que esse acontecimento o ajudou a reconhecer Jesus como aquele que Deus havia enviado (João 1:32-34). Assim, o batismo também marcou publicamente quem Jesus era, antes do começo de seu ministério.
Portanto, Jesus não foi batizado porque precisava de perdão. Ele foi batizado porque, naquele momento, era a coisa certa a fazer em obediência ao Pai. João preparava o caminho, Jesus dava início à sua missão, e Deus confirmava que aquele era seu Filho.