Os cultos de fertilidade eram formas de adoração em que as pessoas buscavam a ajuda de uma divindade pra ter boas colheitas, rebanhos numerosos ou filhos. Para os povos antigos, essas necessidades eram muito concretas: uma época sem chuva podia significar fome. Por isso, alguns ofereciam sacrifícios e faziam cerimônias esperando conseguir proteção e fartura.
Na Bíblia, esse assunto aparece principalmente quando Israel entra em contato com a religião dos povos vizinhos. Baal, por exemplo, era adorado entre os cananeus e associado à chuva e à produção da terra. Mas o Deus de Israel ensinou seu povo a não procurar essas coisas em outros deuses. Foi ele quem prometeu enviar chuva e fazer a terra produzir, chamando Israel a viver em fidelidade a ele (Deuteronômio 11:13-17).
O problema, portanto, não era desejar filhos ou uma boa colheita. Era adorar outros deuses pra tentar garantir aquilo de que precisavam. Em Números 25:1-9, israelitas participam da adoração a Baal de Peor, acompanhada de imoralidade sexual, e Deus condena o que aconteceu. Mais tarde, o rei Josias retirou do templo objetos usados na adoração a Baal e a Aserá (2 Reis 23:4-7). Esses episódios mostram como práticas de outros povos chegaram até mesmo ao meio de Israel.
Há outro exemplo que ajuda a entender o modo de pensar por trás desses cultos. Em Jeremias 44:16-18, algumas pessoas defendem suas ofertas à chamada “rainha dos céus” porque acreditavam que, enquanto a adoravam, tinham comida e viviam bem. Elas associavam sua prosperidade àquela adoração. Jeremias, porém, contesta essa conclusão e diz que a desobediência ao Senhor havia trazido sofrimento ao povo (Jeremias 44:20-23).
Nem todo culto antigo ligado à fertilidade tinha os mesmos rituais, e não é correto afirmar que toda cerimônia desse tipo envolvia prostituição ou sacrifício humano. A Bíblia condena essas práticas onde elas aparecem, mas não diz que faziam parte de todos os cultos de fertilidade.
Em resumo, eram cultos que procuravam obter vida, filhos e abundância por meio da adoração a divindades ligadas à natureza. A resposta da Bíblia é que a chuva, as colheitas e a vida não dependem desses deuses. Israel devia confiar no Senhor, que cuida da sua criação, em vez de prestar culto a eles (Deuteronômio 11:13-17; Mateus 5:45).