As Cruzadas foram campanhas militares organizadas por líderes da Europa ocidental, com apoio da Igreja Católica, a partir do fim do século 11. A mais conhecida começou depois que o papa Urbano II convocou uma expedição, em 1095. Entre os objetivos estavam ajudar cristãos do Império Bizantino, que enfrentavam o avanço de povos turcos, e tomar Jerusalém, cidade importante para cristãos, judeus e muçulmanos. Outras cruzadas aconteceram nos séculos seguintes.
Elas foram chamadas de “Cruzadas” porque seus participantes usavam a cruz como símbolo. Portanto, é correto falar em cruzadas cristãs no sentido histórico: foram promovidas por pessoas e instituições que se identificavam como cristãs. Isso não significa que tudo o que fizeram representava os ensinamentos de Jesus.
O contexto ajuda a entender por que essas guerras começaram. Séculos antes, exércitos muçulmanos haviam conquistado regiões onde viviam muitos cristãos. Mais tarde, o avanço turco e a situação dos peregrinos que queriam visitar Jerusalém aumentaram a preocupação na Europa. Mas entender esse contexto não justifica os crimes cometidos nas Cruzadas, nem permite tratar muçulmanos, cristãos ou judeus daquela época como se todos tivessem agido da mesma maneira.
Em 1099, por exemplo, cruzados tomaram Jerusalém e mataram muitos de seus habitantes, incluindo muçulmanos e judeus. Durante o movimento das Cruzadas, também houve ataques a comunidades judaicas na Europa. E, em 1204, cruzados saquearam Constantinopla, uma cidade cristã. Os motivos dos participantes variavam: havia devoção religiosa, mas também interesses políticos, busca de poder e desejo de riqueza.
O ponto bíblico é este: Jesus mandou seus seguidores fazer discípulos ensinando as pessoas a obedecer aos seus mandamentos, não conquistando cidades ou obrigando alguém a crer (Mateus 28:19-20). Ele também ensinou seus discípulos a amar os inimigos (Lucas 6:27-28). Quando Pedro usou uma espada no momento da prisão de Jesus, Jesus o repreendeu (Mateus 26:51-52). Essas passagens não resolvem, sozinhas, toda discussão sobre guerras entre nações. Mas deixam claro que espalhar a fé pela violência não é a missão que Jesus deu à igreja.
Por isso, não precisamos negar os fatos nem desculpar as atrocidades pra defender a fé cristã. Muitos daqueles atos foram graves e contrariaram o ensino de Cristo. Ao mesmo tempo, seria injusto dizer que todos os cristãos de hoje são culpados pelo que os cruzados fizeram, ou que os atos deles definem o que Jesus ensinou. A maneira mais honesta de avaliar as Cruzadas é reconhecer o que aconteceu e comparar as ações de seus participantes com os ensinamentos de Cristo.