A Bíblia conta boa parte da vida de Paulo, mas não informa o ano exato de cada acontecimento. Por isso, a melhor maneira de acompanhar sua história é juntar o que Lucas relata em Atos com o que Paulo diz em suas cartas. A ordem geral é clara; as datas são aproximadas.
Paulo, também chamado Saulo, nasceu em Tarso e era cidadão romano (Atos 21:39; 22:25–28). Antes de seguir Jesus, ele perseguia os cristãos. A primeira vez que aparece em Atos é na morte de Estêvão: Saulo aprovou o que aconteceu e, depois, passou a prender seguidores de Cristo (Atos 7:58; 8:1–3). A Bíblia não informa sua idade nessa época.
Por volta de 33–36 d.C. — Conversão. A caminho de Damasco, onde pretendia prender cristãos, Paulo teve um encontro com Jesus ressuscitado. Em vez de continuar perseguindo a igreja, começou a anunciar que Jesus é o Filho de Deus (Atos 9:1–22).
Os primeiros anos depois da conversão. Paulo esteve em Damasco e foi também à Arábia. Três anos depois, foi a Jerusalém e conheceu Pedro e Tiago, irmão de Jesus (Gálatas 1:17–19). Isso não significa que ele passou os três anos inteiros na Arábia. Mais tarde, saiu de Jerusalém e foi pra região de sua cidade natal, Tarso. Barnabé o procurou ali e o levou pra ajudar a igreja de Antioquia, onde os dois ensinaram durante um ano (Atos 9:26–30; 11:25–26). Nesse período, Paulo e Barnabé também levaram ajuda aos irmãos da Judeia (Atos 11:27–30; 12:25).
Por volta de 46–48 d.C. — Primeira viagem missionária. A igreja de Antioquia enviou Paulo e Barnabé pra anunciar o evangelho em outros lugares. Eles passaram por Chipre e por cidades da região que hoje faz parte da Turquia, como Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe. Muitas pessoas creram, mas houve forte oposição. Em Listra, Paulo foi apedrejado. Depois, os dois voltaram às cidades que tinham visitado pra fortalecer os novos discípulos (Atos 13–14).
Por volta de 49–50 d.C. — Reunião em Jerusalém. Surgiu uma questão decisiva: os não judeus precisavam ser circuncidados e guardar a lei de Moisés pra serem salvos? Os apóstolos e os líderes da igreja se reuniram pra tratar do assunto. A decisão foi que não se deveria impor essa exigência aos convertidos não judeus (Atos 15:1–29).
Por volta de 49–52 d.C. — Segunda viagem missionária. Paulo e Barnabé discordaram sobre levar João Marcos outra vez. Barnabé seguiu com Marcos, e Paulo viajou com Silas (Atos 15:36–41). Timóteo se juntou a eles mais adiante. Paulo anunciou o evangelho em cidades como Filipos, Tessalônica, Bereia e Atenas. Depois ficou cerca de um ano e meio em Corinto (Atos 16–18). As cartas aos tessalonicenses costumam ser situadas nesse período.
Por volta de 53–57 d.C. — Terceira viagem missionária. Paulo visitou igrejas já estabelecidas e passou um longo período ensinando em Éfeso. Depois foi à Macedônia e à Grécia, antes de seguir pra Jerusalém (Atos 18:23–21:17). As cartas aos coríntios e aos romanos geralmente são situadas nessa fase. A data da carta aos gálatas é mais discutida: ela pode ter sido escrita antes ou depois da reunião de Jerusalém, conforme a interpretação adotada.
Por volta de 57–60 d.C. — Prisão em Jerusalém e Cesareia. Em Jerusalém, Paulo foi acusado por uma multidão e preso pelas autoridades romanas. Ele explicou sua fé diante de diferentes governantes e ficou detido por cerca de dois anos em Cesareia. Por ser cidadão romano, pediu que seu caso fosse julgado pelo imperador (Atos 21–26; especialmente 24:27 e 25:10–12).
Por volta de 60–62 d.C. — Viagem e prisão em Roma. A viagem incluiu uma tempestade e um naufrágio em Malta. Paulo chegou a Roma e permaneceu dois anos sob custódia, numa casa onde podia receber pessoas e anunciar o evangelho. É nesse ponto que termina o livro de Atos (Atos 27–28). As cartas a Filemom, aos colossenses, aos efésios e aos filipenses são frequentemente relacionadas a uma prisão de Paulo, embora a data e o local de algumas delas sejam discutidos.
Depois disso, temos menos certezas. Atos não conta se Paulo foi libertado nem como morreu. As cartas a Timóteo e Tito são frequentemente entendidas como sinais de que ele voltou a viajar depois da prisão narrada em Atos; em 2 Timóteo, ele aparece preso outra vez e fala da proximidade de sua morte (2 Timóteo 4:6–8). A tradição cristã antiga afirma que Paulo foi morto em Roma durante o governo de Nero, provavelmente na década de 60 d.C. Ele desejava ir à Espanha (Romanos 15:24, 28), mas não sabemos com certeza se chegou lá.
Assim, a história de Paulo vai de perseguidor dos cristãos a anunciador de Jesus, passando por viagens missionárias, ensino às igrejas e anos de prisão. Podemos acompanhar essa trajetória com segurança, mesmo sem saber o ano exato de cada etapa.