Não dá pra identificar essas duas pessoas com o casal de Gênesis. Os nomes são apelidos usados em estudos de genética. Eles indicam que as pessoas vivas hoje compartilham um ancestral em duas linhas específicas da família humana: a linha que passa de pai pra filho e a que passa de mãe pra filho.
O cromossomo Y geralmente passa do pai pro filho. Ao comparar o Y de homens de diferentes partes do mundo, os pesquisadores conseguem estudar uma longa sequência de pais, filhos, netos e assim por diante. “Adão cromossomial Y” é o nome dado ao ancestral comum mais recente dos homens vivos hoje *quando seguimos apenas essa linha paterna*.
Já o DNA mitocondrial passa da mãe tanto pros filhos quanto pras filhas. Mas só as filhas costumam passá-lo à geração seguinte. “Eva mitocondrial” é o nome dado à ancestral comum mais recente das pessoas vivas hoje *quando seguimos apenas essa linha materna*.
Essa diferença é importante: não estamos falando de toda a árvore genealógica, mas de dois caminhos estreitos dentro dela. Você tem muitos antepassados, embora seu cromossomo Y, se você for homem, venha por uma sequência de pais, e seu DNA mitocondrial venha por uma sequência de mães. Outras pessoas que viveram na época desses ancestrais também podem ter descendentes vivos hoje. Apenas suas linhas diretas de Y ou de DNA mitocondrial não chegaram até nós.
Por isso, a genética não demonstra que o “Adão cromossomial Y” era o único homem de sua época, nem que a “Eva mitocondrial” era a única mulher. Também não demonstra que os dois se conheceram, viveram ao mesmo tempo ou foram marido e mulher. Os estudos os identificam por caminhos diferentes da herança genética, não por seus nomes ou por sua história pessoal.
E onde entra a Bíblia? Gênesis apresenta Adão e Eva como os primeiros seres humanos e chama Eva de mãe de todos os viventes (Gênesis 2:7, 21-23; 3:20). Essa é uma afirmação sobre a origem da humanidade. Os nomes usados pela genética podem lembrar o relato bíblico, mas, por si só, não provam nem refutam que os ancestrais identificados nesses estudos sejam o Adão e a Eva de Gênesis.
Em resumo: a genética aponta pra um ancestral comum na linha paterna dos homens vivos e pra uma ancestral comum na linha materna das pessoas vivas. Ela não nos diz que essas foram as únicas duas pessoas vivas naquela época.