Não necessariamente. Esses nomes se referem a maneiras de estudar como os livros bíblicos foram escritos. As perguntas que fazem podem ser úteis, mas as respostas dependem das evidências e também das ideias que cada pesquisador leva pro estudo.
A Alta Crítica, também chamada de crítica histórica, faz perguntas como: quem escreveu este livro? Quando ele foi escrito? Que fontes o autor pode ter usado? O que estava acontecendo naquela época? Ela é diferente da chamada crítica textual, que compara os manuscritos antigos pra identificar, tanto quanto possível, o texto original.
A Crítica da Redação é um tipo mais específico de estudo. Ela observa como um autor selecionou e organizou o material que colocou em seu livro. Nos Evangelhos, por exemplo, Mateus, Marcos e Lucas contam vários acontecimentos em comum, mas nem sempre da mesma maneira ou na mesma ordem. Comparar essas escolhas pode ajudar a perceber o que cada evangelista quis destacar sobre Jesus.
Isso não significa que os evangelistas foram apenas colecionadores de histórias, nem que inventaram o que escreveram. Lucas conta que outras pessoas já haviam escrito relatos sobre Jesus e que ele próprio investigou os acontecimentos antes de organizar seu Evangelho (Lucas 1:1-4). Pesquisar, selecionar e organizar informações faz parte do trabalho de um autor. A pergunta importante é se ele as transmitiu com fidelidade.
É aí que precisamos separar o método das conclusões. Perguntar quando um livro foi escrito não é, por si só, um ataque à fé. Mas seria um erro decidir de antemão que Deus não poderia ter agido por meio dos autores bíblicos e, depois, tratar essa decisão como resultado da pesquisa. Também seria um erro rejeitar toda pergunta histórica apenas porque algumas respostas propostas por pesquisadores entram em conflito com a fé cristã. Cada argumento precisa ser examinado.
A Bíblia ensina que as Escrituras vêm de Deus e são úteis pra ensinar e corrigir (2 Timóteo 3:16). Pedro afirma que os profetas falaram movidos pelo Espírito Santo (2 Pedro 1:20-21). Para o cristão, portanto, estudar o modo como os autores escreveram não exige deixar de crer na inspiração bíblica. Deus agiu por meio de pessoas reais, que escreveram em situações reais, com suas formas próprias de contar e explicar.
Isso também pede cuidado com afirmações amplas sobre a autoria dos livros. A Bíblia atribui a Moisés a escrita de partes da Lei (Êxodo 24:4; Deuteronômio 31:9), e Jesus se refere aos escritos de Moisés (João 5:46-47). Ao mesmo tempo, o Pentateuco inclui o relato da morte de Moisés (Deuteronômio 34). Por isso, reconhecer uma possível edição posterior de algum trecho não é o mesmo que negar o papel de Moisés ou a autoridade das Escrituras.
Em resumo, a Alta Crítica estuda questões históricas sobre a origem dos livros bíblicos; a Crítica da Redação estuda as escolhas feitas pelos autores ao organizar seu material. Nenhuma delas prova, só pelo nome ou pelas perguntas que faz, que a Bíblia não é confiável. O que deve ser avaliado são os argumentos e as conclusões de cada estudo, à luz das evidências e do que a própria Bíblia ensina.