A frase da pergunta junta duas passagens muito próximas. Em Colossenses 1:19, Paulo diz que Deus quis que toda a plenitude habitasse em Cristo. Em Colossenses 2:9, ele torna a ideia ainda mais explícita: toda a plenitude da divindade habita em Cristo corporalmente.
Isso significa que Jesus não é apenas um homem que conhece muito bem a Deus, nem alguém que recebeu uma pequena parte do poder divino. Jesus é plenamente Deus. E a palavra “corporalmente” é importante: o Filho de Deus se tornou verdadeiramente humano. A plenitude da divindade não estava nele como uma aparência passageira. Aquele que viveu entre as pessoas, morreu na cruz e ressuscitou é o próprio Filho de Deus feito homem. Isso não quer dizer que Jesus seja o Pai; ele revela o Pai sem deixar de ser distinto dele (João 1:14, 18).
Paulo prepara essa afirmação desde o começo da carta. Ele diz que Cristo torna conhecido o Deus que não podemos ver e que todas as coisas foram criadas por meio dele e para ele (Colossenses 1:15-16). Por isso, quando Paulo fala da “plenitude” em Cristo, não está dizendo que faltava algo em Deus e Jesus veio completar essa falta. Está dizendo que não falta a Jesus nada do que faz de Deus, Deus.
Mas por que Paulo insiste tanto nisso? Porque os cristãos de Colossos estavam sendo alertados contra ensinamentos que poderiam levá-los a procurar em outro lugar aquilo que supostamente faltaria em Cristo (Colossenses 2:8). A resposta de Paulo é clara: se toda a plenitude da divindade habita nele, Jesus não precisa de nenhum complemento pra nos levar a Deus.
Isso também explica por que podemos confiar nele pra nossa salvação. O mesmo Cristo em quem habita toda a plenitude é aquele por meio de quem Deus fez a paz conosco pelo sangue derramado na cruz (Colossenses 1:19-22). Jesus pode nos revelar quem Deus é e nos reconciliar com ele. Em outras palavras, pra conhecer a Deus e ser recebido por ele, não precisamos procurar alguém maior do que Jesus.