Paulo resume a mensagem cristã em 1 Coríntios 15:3-4: Cristo morreu pelos nossos pecados, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia. Quando ele diz que isso aconteceu “segundo as Escrituras”, quer dizer que a morte e a ressurreição de Jesus fazem parte daquilo que Deus já vinha mostrando nas Escrituras, especialmente no Antigo Testamento. Não foram acontecimentos sem ligação com o que Deus havia prometido.
A expressão “pelos nossos pecados” explica *por que* Jesus morreu. Pecar não é só cometer erros que podemos compensar fazendo coisas boas. É desobedecer a Deus, e isso nos torna culpados diante dele. Jesus, porém, não morreu por uma culpa própria. Ele deu a vida por pecadores, para que fossem perdoados e reconciliados com Deus. É por isso que Paulo diz, em Romanos 5:6-8, que Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores.
Uma das passagens que mais ajudam a entender isso é Isaías 53. Ali, o servo de Deus sofre por causa dos pecados de outros, embora não tenha cometido injustiça. O Novo Testamento relaciona esse sofrimento a Jesus (1 Pedro 2:22-25). Assim, dizer que Cristo morreu pelos nossos pecados é dizer que ele assumiu em nosso lugar as consequências do pecado para nos trazer a paz com Deus. Não se trata de Deus simplesmente ignorar o mal: Jesus enfrentou aquilo de que precisávamos ser salvos.
Mas Paulo não para na morte. Ele diz que Jesus foi sepultado e ressuscitou. O sepultamento confirma que ele realmente morreu; a ressurreição mostra que a morte não foi o fim. Para Paulo, ela é indispensável à nossa esperança: se Cristo não tivesse ressuscitado, ainda estaríamos em nossos pecados (1 Coríntios 15:17).
E onde isso aparece nas Escrituras anteriores a Jesus? Isaías 53 fala tanto do sofrimento do servo quanto do resultado de sua obra. O Salmo 16 também é usado pelos apóstolos para anunciar a ressurreição de Cristo (Atos 2:25-32). Além disso, os sacrifícios do Antigo Testamento ensinavam a gravidade do pecado e apontavam para a necessidade de perdão; a carta aos Hebreus explica que eles não resolviam o problema de modo definitivo, mas que Jesus ofereceu a si mesmo uma vez por todas (Hebreus 10:1-14). Paulo não identifica, em 1 Coríntios 15, uma lista exata das passagens que tinha em mente. Por isso, é melhor reconhecer esses fundamentos sem afirmar que ele pensava em cada texto específico.
Em resumo, Cristo morreu pelos nossos pecados porque não podíamos resolver nossa culpa por conta própria. Ele deu a vida por nós e ressuscitou. Quando Paulo acrescenta “segundo as Escrituras”, ele mostra que essa boa notícia não surgiu de repente: ela está ligada ao que Deus já havia revelado sobre como salvaria seu povo.