Em Romanos 10:4, Paulo não está dizendo que a lei de Deus era ruim ou que, depois de Jesus, tanto faz como vivemos. Ele está dizendo que Cristo é aquele a quem a lei apontava e que, por meio dele, todo o que crê pode ser aceito por Deus. A lei não consegue nos dar essa condição por nossos próprios esforços.
O contexto ajuda a entender. Paulo fala de pessoas que queriam ser consideradas justas diante de Deus por obedecer à lei. O problema não era desejar obedecer. Era tentar fazer da própria obediência a base pra ser aceito por Deus. Paulo explica que a lei mostra o que Deus requer e deixa claro o nosso pecado, mas não apaga os pecados que já cometemos nem nos torna justos diante dele (Romanos 3:19-20; 10:2-3).
É nesse sentido que Cristo é o “fim” da lei. Ele é o cumprimento daquilo pra que ela apontava: viveu em obediência ao Pai e, por sua morte e ressurreição, tornou possível o que ninguém conseguiria alcançar obedecendo à lei por conta própria. Jesus disse que não veio abolir a Lei e os Profetas, mas cumpri-los (Mateus 5:17). Por isso, Paulo pode dizer que a justiça diante de Deus é dada a todo o que crê em Cristo (Romanos 10:4; 3:21-24).
A palavra “fim” também ajuda a mostrar que a lei não é mais o caminho pelo qual alguém deve tentar obter essa justiça. Em Gálatas 3:23-25, Paulo explica que a lei teve uma função até a vinda de Cristo, mas que agora não estamos mais sob sua tutela. Isso não significa que os ensinamentos de Deus sobre o bem e o mal perderam valor. Significa que não somos salvos por cumprir mandamentos. Quem pertence a Cristo é chamado a viver em obediência, não pra conquistar o amor de Deus, mas porque recebeu sua graça (Romanos 6:1-2; 8:3-4).
Então, a ideia principal é simples: a lei mostra nossa necessidade; Cristo é a resposta de Deus a essa necessidade. Em vez de confiar que nossa obediência basta pra nos tornar justos, somos chamados a confiar nele.