Depende do que a pessoa quer dizer com essas expressões. Se “Cristo Cósmico” significa que Jesus é Senhor de toda a criação, há fundamento bíblico pra isso. Mas, se significa que Cristo é uma energia presente em tudo, que a natureza é divina ou que todas as religiões levam a ele da mesma maneira, essa ideia não corresponde ao que a Bíblia ensina.
A distinção começa em Colossenses 1:15-17. Paulo diz que todas as coisas foram criadas por meio de Cristo e pra ele, e que nele todas as coisas subsistem. João 1:1-3 também apresenta aquele que se tornou Jesus como participante da criação de tudo o que existe. Portanto, Cristo não se limita a um povo, a uma região ou a uma parte da vida. Tudo depende dele.
Mas sustentar todas as coisas não é o mesmo que ser todas as coisas. Uma árvore existe porque Deus a criou e a sustenta; isso não faz da árvore uma parte de Deus. A Bíblia distingue o Criador daquilo que ele criou. Ela nos ensina a reconhecer a bondade de Deus na criação, não a tratar a criação como divina.
Também é verdade que a obra de Jesus tem consequências pra além da salvação individual. Romanos 8:19-23 diz que a criação sofre e aguarda o dia em que será libertada da corrupção. E Colossenses 1:19-20 fala da reconciliação de todas as coisas por meio de Cristo. Isso mostra como a obra dele é ampla. Ao mesmo tempo, essas passagens não dizem que o pecado não importa, nem que todas as pessoas já estão reconciliadas com Deus independentemente de sua resposta a Cristo. No próprio capítulo, Paulo fala de pessoas que precisam ser reconciliadas com Deus e permanecer na fé (Colossenses 1:21-23).
É aí que algumas versões da ideia de “Cristo Universal” se afastam da Bíblia. Elas deixam de falar do Jesus que viveu entre nós, morreu e ressuscitou, e passam a usar “Cristo” como nome de uma presença espiritual que estaria igualmente em todas as pessoas, coisas e religiões. Só que o Novo Testamento não separa Cristo de Jesus. Em João 1:14, aquele por meio de quem tudo foi criado se fez humano. E, em 1 Timóteo 2:5, Jesus Cristo é apresentado como o mediador entre Deus e os seres humanos.
Por isso, vale perguntar o que a expressão está tentando afirmar. Dizer que Jesus é Senhor de todo o universo e que sua obra alcançará a renovação da criação é bíblico. Dizer que ele se confunde com o universo, que o ser humano não precisa de perdão ou que seu nome é apenas uma entre várias formas de falar da mesma salvação muda o sentido do evangelho.
A Bíblia nos dá uma visão grande de Cristo, sem torná-lo uma força impessoal: o mesmo Jesus que morreu pelos nossos pecados é aquele por meio de quem tudo foi criado e por quem Deus levará sua criação ao destino que preparou pra ela.