Depende do que a pessoa quer dizer com “cristianismo progressivo”. Esse nome é usado de maneiras diferentes. Às vezes, descreve cristãos que querem enfrentar injustiças, cuidar de quem sofre e levar a sério problemas da sociedade. Em outros casos, descreve uma maneira de entender a fé que deixa de lado ensinamentos bíblicos quando eles entram em conflito com os valores atuais. A primeira preocupação pode ser bíblica. A segunda precisa ser examinada com muito cuidado.
A Bíblia não ensina que seguir Jesus é cuidar apenas da vida espiritual. Ela manda defender quem é tratado injustamente, ajudar os necessitados e não mostrar favoritismo (Isaías 1:17; Tiago 2:1-6, 14-17). Por isso, um cristão pode se dedicar a essas causas e até usar a palavra “progressivo” pra descrever sua atuação social ou política. O rótulo, por si só, não diz se sua fé é bíblica.
A questão decisiva é outra: quando a Bíblia e uma ideia popular entram em conflito, qual delas a pessoa deixa corrigir a outra? Os cristãos podem aprender a compreender melhor as Escrituras. Também podem perceber que uma prática defendida por sua igreja ou por sua sociedade estava errada. Jesus, por exemplo, repreendeu pessoas que davam mais valor às suas tradições do que aos mandamentos de Deus (Marcos 7:8-13). Mudar de opinião, portanto, não é necessariamente abandonar a fé.
Mas aprender a ler melhor a Bíblia é diferente de tratá-la como uma autoridade que só vale quando concorda com nossas preferências. O cristianismo histórico afirma que as Escrituras são úteis pra ensinar e corrigir o povo de Deus (2 Timóteo 3:16-17). Afirma também que Jesus morreu pelos pecados e ressuscitou — acontecimentos que Paulo apresenta como essenciais ao evangelho, não como ideias que cada geração pode substituir por outras (1 Coríntios 15:1-8, 14-17).
Há pessoas identificadas com o cristianismo progressivo que continuam afirmando essas verdades. Outras questionam ou negam partes centrais da fé cristã. Também existem divergências sobre como interpretar passagens relativas à moralidade e à vida da igreja. Por isso, não seria justo dizer que todos os que usam esse nome creem na mesma coisa. É melhor perguntar o que determinada pessoa ou comunidade ensina sobre Jesus, o evangelho e a autoridade das Escrituras.
O cuidado vale igualmente pra quem rejeita o rótulo “progressivo”. Uma posição não se torna bíblica só porque é chamada de conservadora. Cristãos de qualquer lado político podem escolher as passagens de que gostam e ignorar as que os corrigem. Nossa primeira lealdade deve ser a Cristo, não a um grupo.
Então, o cristianismo progressivo é bíblico? Quando o nome expressa o desejo de praticar a justiça e cuidar do próximo sem deixar de seguir o ensino bíblico, pode ser. Quando significa adaptar Jesus e as Escrituras ao que a cultura de hoje considera aceitável, não. Pra avaliar um caso concreto, precisamos olhar além do nome e examinar aquilo que é ensinado, à luz da Bíblia.