O cristianismo copta é a antiga tradição cristã do Egito. Quando alguém fala em “Igreja Copta”, geralmente está se referindo à Igreja Ortodoxa Copta, que tem suas raízes em Alexandria. Seus membros creem em Jesus Cristo, em sua morte e ressurreição, e seguem uma forma de culto que preserva práticas muito antigas.
A palavra *copta* está ligada ao nome “egípcio”. Por isso, ela também pode falar da identidade de um povo, e não apenas de uma igreja. Nem todo egípcio é cristão, nem todo cristão copta pertence à Igreja Ortodoxa Copta. Mas essa é a igreja mais conhecida quando se usa o nome.
Segundo a tradição da Igreja Copta, João Marcos, associado ao Evangelho de Marcos, levou o evangelho a Alexandria. O Novo Testamento não relata essa viagem, então não dá pra afirmar seus detalhes com a mesma certeza com que afirmamos o que está nas Escrituras. O que se sabe é que Alexandria se tornou um centro importante do cristianismo nos primeiros séculos.
A Igreja Ortodoxa Copta crê em um só Deus — Pai, Filho e Espírito Santo — e confessa que Jesus é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. Ela dá grande importância à Bíblia, à oração, ao jejum, ao batismo e à celebração da Ceia do Senhor, que costuma chamar de Eucaristia. Seus cultos seguem uma liturgia: há orações e formas de celebração recebidas de sua longa tradição.
A principal diferença histórica entre a Igreja Copta e muitas outras igrejas cristãs está na maneira de explicar como a divindade e a humanidade estão unidas em Jesus. Em 451, o Concílio de Calcedônia afirmou que Cristo é uma só pessoa em duas naturezas, divina e humana. A Igreja Copta não aceitou a formulação desse concílio e ficou separada das igrejas que a adotaram.
Isso não significa que os coptas ensinem que Jesus foi apenas Deus e não foi realmente homem. Eles afirmam as duas coisas. A discussão é sobre como expressar a união entre sua divindade e sua humanidade, sem separar Jesus em duas pessoas nem deixar de reconhecer qualquer uma delas. Há diferenças teológicas e históricas reais entre as igrejas, mas seria injusto dizer simplesmente que os coptas negam a humanidade de Cristo.
O Egito também marcou a história cristã pelo sofrimento de muitos fiéis em épocas de perseguição. Depois, sob diferentes governos e mudanças culturais, a Igreja Copta continuou existindo. Hoje, seus membros vivem no Egito e em vários outros países.
Pra quem vem de uma igreja evangélica, outra diferença perceptível está no culto e na vida da igreja. A tradição copta dá um lugar importante aos sacramentos, à liturgia, aos jejuns e à continuidade dos ensinamentos da igreja antiga. Evangélicos costumam enfatizar que ninguém é salvo por cumprir ritos ou fazer boas obras: a salvação é um presente de Deus, recebido pela fé em Jesus Cristo, e as boas obras são fruto dessa fé (Efésios 2:8-10). Essa é uma distinção importante, mas não devemos concluir, só porque os coptas têm ritos e jejuns, que eles acreditam poder comprar a salvação por meio deles.
Em resumo, os cristãos coptas fazem parte de uma tradição cristã que começou no Egito antigo e continua viva. Eles confessam Jesus como Deus e homem, morto e ressuscitado, embora sua igreja tenha diferenças históricas e teológicas em relação às igrejas católicas, protestantes e ortodoxas que aceitaram o Concílio de Calcedônia.