Não. O cristianismo nasceu no Oriente Médio, começou entre judeus e, desde o início, sua mensagem foi anunciada a pessoas de diferentes povos. Mas a pergunta faz sentido. Durante séculos, muitos europeus e americanos brancos se identificaram como cristãos, e alguns chegaram a usar a Bíblia pra tentar justificar a escravidão e o racismo. Isso aconteceu e não deve ser tratado como um detalhe sem importância.
Pra entender a diferença entre a fé cristã e esses abusos, vale olhar primeiro pra Jesus. Ele era judeu e viveu numa região do Oriente Médio, não na Europa. Seus primeiros discípulos também eram judeus. Depois da ressurreição, Jesus mandou que eles fizessem discípulos de todas as nações (Mateus 28:19-20). A mensagem não era propriedade de um povo nem estava reservada a uma cor de pele.
O livro de Atos mostra isso acontecendo. Em Jerusalém, pessoas vindas de várias regiões ouviram a mensagem dos apóstolos (Atos 2:5-11). Mais tarde, Filipe explicou quem era Jesus a um oficial da Etiópia, que creu e foi batizado (Atos 8:26-39). O evangelho também chegou a Antioquia, na região da atual Turquia e Síria, onde judeus e não judeus passaram a fazer parte da mesma igreja (Atos 11:19-26). Nos primeiros séculos, havia comunidades e importantes líderes cristãos no norte da África, bem antes de o cristianismo se tornar fortemente associado à Europa.
E o ensino bíblico combina com essa história. Gênesis diz que Deus criou os seres humanos à sua imagem (Gênesis 1:27). O problema do pecado atinge toda a humanidade, e a salvação por meio de Jesus não depende de origem étnica (Romanos 3:22-24). Em Atos 10, quando Pedro compreendeu que Deus acolhia também pessoas de outras nações, ele reconheceu que Deus não favorece um povo em detrimento dos demais (Atos 10:34-35). O Apocalipse apresenta pessoas de todos os povos reunidas diante de Deus por causa de Cristo (Apocalipse 5:9).
Isso não apaga o que cristãos fizeram de errado. Quem usou a Bíblia pra defender a escravidão contrariou a dignidade que Deus deu a cada pessoa e a mensagem de que, em Cristo, pessoas de todos os povos podem pertencer à mesma família de Deus. Por isso, é possível reconhecer com honestidade os pecados cometidos em nome do cristianismo sem concluir que Jesus veio apenas pros brancos.
O cristianismo não é uma religião de brancos. Seu centro é Jesus Cristo, e seu convite se dirige a pessoas de toda nação.