A diferença principal não é que muçulmanos jejuam e cristãos não. Os dois podem jejuar. A diferença está nas orientações de cada religião. No islamismo, o jejum durante o mês do Ramadã é uma prática religiosa estabelecida, com regras sobre o período de abstinência e exceções para certas pessoas. Na fé cristã, a Bíblia não manda que todos os seguidores de Jesus jejuem num mês específico nem estabelece um calendário de jejum obrigatório.
Isso não quer dizer que o jejum tenha pouca importância pros cristãos. Jesus jejuou antes de começar seu ministério público (Mateus 4:1-2). Ele também ensinou seus discípulos sobre *como* jejuar: sem fazer disso uma demonstração de religiosidade pra impressionar os outros (Mateus 6:16-18). Mais tarde, a igreja jejuou enquanto orava e buscava a direção de Deus (Atos 13:2-3; 14:23). Portanto, o jejum tem lugar na vida cristã, mas não como uma regra igual pra todos, com as mesmas datas e a mesma duração.
Um cristão pode deixar de comer por um período pra dedicar mais atenção à oração, pedir ajuda a Deus ou reconhecer sua dependência dele. Na Bíblia, Esdras e seus companheiros jejuaram enquanto pediam a proteção de Deus numa viagem (Esdras 8:21-23). Mas passar fome, por si só, não torna ninguém mais próximo de Deus. Por isso, os profetas também advertiram pessoas que jejuavam, mas continuavam tratando os outros injustamente (Isaías 58:3-7). O que fazemos durante o jejum precisa combinar com a maneira como vivemos.
Há ainda um ponto essencial pra fé cristã: o jejum não compra o perdão de Deus nem garante a vida eterna. Jesus contou a história de um homem que se orgulhava de jejuar duas vezes por semana. Ele se achava melhor que os outros, enquanto outro homem simplesmente reconheceu seu pecado e pediu misericórdia a Deus. Jesus disse que foi este último, e não o homem orgulhoso, que voltou pra casa aceito por Deus (Lucas 18:9-14). A salvação, segundo o Novo Testamento, é recebida pela graça de Deus, por meio da fé em Jesus Cristo, não conquistada por práticas religiosas (Efésios 2:8-10).
Isso não significa que seja justo dizer que todo muçulmano jejua apenas pra tentar merecer o paraíso. A pergunta é sobre o que se espera dos cristãos. E, pra eles, a resposta é esta: jejuar pode ser uma forma sincera de buscar a Deus, mas não é uma obrigação ligada a um mês do ano nem um meio de conquistar a salvação. O cristão jejua como alguém que precisa de Deus e confia nele, não como alguém que pode assegurar o favor de Deus por ficar sem comer.